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Acordo com a Europa pode render US$ 51 milhões a mais por ano à carne bovina goiana, estima a Fieg; embargo europeu, porém, trava as vendas desde setembro

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Gado nelore branco pastando em campo de capim alto, com palmeiras e uma serra de paredões ao fundo, sob céu com nuvens

Gado nelore em Campos Belos, no Nordeste goiano. Foto: Carlos Ebert (CC BY 2.0), via Wikimedia Commons

A carne bovina produzida em Goiás poderá vender cerca de US$ 51 milhões a mais por ano para a União Europeia quando o acordo comercial entre o Mercosul e o bloco europeu estiver totalmente em vigor, segundo projeção da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg). O ganho, no entanto, está travado: desde 3 de setembro, a Europa suspendeu a compra de produtos de origem animal do Brasil.

Pelo cálculo da Fieg, o aumento seria de US$ 38,7 milhões por ano em carne desossada e congelada e de US$ 12,3 milhões em cortes frescos ou refrigerados. Em 2025, Goiás exportou cerca de US$ 170,1 milhões em carne bovina para a União Europeia. A conta considera o acordo completo, daqui a cerca de dez anos, e um crescimento de 6% ao ano por cinco anos estimado pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).

O acordo cria uma cota de 99 mil toneladas de carne bovina para o Mercosul, com tarifa de 7,5%; cerca de 42 mil toneladas cabem ao Brasil. Antes, as barreiras equivaliam a alíquotas de 42% a 46%. “Dentro da cota, o produtor vai pagar menos imposto de importação. Então, o produto vai chegar mais barato lá na Europa”, explicou o analista da Fieg Saulo Nogueira ao Mais Goiás. Ele avalia que a cota ficou abaixo do esperado, mas que a carne brasileira consegue competir mesmo fora dela.

Embargo por falta de controle

A suspensão europeia veio depois que o Brasil foi retirado da lista de países que comprovam as exigências do bloco sobre o uso de antimicrobianos (antibióticos) na criação de animais. Argentina, Paraguai e Uruguai continuam autorizados. Para Nogueira, o país foi avisado com antecedência e não se preparou. “O governo não implementou um sistema de monitoramento, de controle desse uso de antimicrobiano”, criticou. Os governos brasileiro e europeu negociam para mostrar que os produtores conseguem cumprir as regras.

Para o pecuarista, a adaptação é lenta: o sistema europeu exige rastrear o animal durante toda a vida, e um bovino que passe a seguir as novas regras pode levar de 30 a 36 meses até estar pronto para o abate e a exportação. Segundo a Fieg, Goiás deixa de exportar cerca de US$ 16,8 milhões por mês em carne bovina enquanto a suspensão durar, o que afeta frigoríficos e criadores de todo o Estado, inclusive do Sudoeste goiano.

Com informações de: Mais Goiás.

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