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Adubo feito do lodo de esgoto: Saneago contrata pesquisa de R$ 4,58 milhões para criar fertilizantes regionais em Goiás, que depende de insumo importado

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Lavoura de milho verde e alta com placa branca à frente indicando aplicação de lodo de esgoto em alta dose, com mata ao fundo

Lavoura de milho em área experimental de aplicação de lodo de esgoto, nos Estados Unidos. Foto: Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA)/Domínio público, via Wikimedia Commons

A Saneago, companhia de saneamento de Goiás, assinou um contrato de R$ 4,58 milhões para financiar uma pesquisa que pretende transformar o lodo do tratamento de esgoto de Goiânia em fertilizante para a agricultura goiana. O extrato do contrato foi publicado nesta sexta-feira (23) no Diário Oficial do Estado.

O projeto vai usar os biossólidos, o lodo já tratado que sobra da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Dr. Hélio Seixo de Britto, a maior de Goiânia. O objetivo, segundo o extrato, é desenvolver “fertilizantes regionais” a partir desse material. O valor exato é de R$ 4.580.241,86, e o contrato, assinado em 19 de outubro, tem vigência de 1.096 dias, cerca de três anos.

O dinheiro vai para a Fundação de Apoio à Pesquisa (Funape), que repassa os recursos à instituição de ciência e tecnologia responsável pelo estudo. O extrato não informa quais tipos de adubo serão desenvolvidos, para quais lavouras, o cronograma de pagamentos nem se há previsão de produção em escala comercial.

Por que interessa ao produtor

O Brasil importa a maior parte dos fertilizantes que usa: pelo Plano Nacional de Fertilizantes, lançado pelo governo federal em 2022, cerca de 85% do consumo vem de fora. Para regiões como o Sudoeste Goiano, que planta soja, milho e algodão em larga escala, o preço do adubo pesa no custo da safra e acompanha o dólar e as crises internacionais.

O lodo de esgoto tratado tem matéria orgânica, nitrogênio e fósforo, e o uso agrícola é permitido no país desde que atenda às regras da Resolução Conama nº 498, de 2020, que define limites para contaminantes e organismos que causam doenças e as culturas em que o material pode ser aplicado. Por isso, o resultado da pesquisa depende de testes de segurança e qualidade antes de chegar ao campo.

Para a Saneago, a pesquisa também pode dar destino a um resíduo que hoje precisa ser descartado. Os resultados devem levar alguns anos: o contrato vai até outubro de 2029.

Com informações de: Jornal Opção (extrato do Contrato nº 30000273/2026, Diário Oficial do Estado de Goiás)

AssuntosAduboAGROBiossólidoFertilizantesGoiásInovaçãoPesquisaSaneago

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