Fêmea do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, da Zika e da chikungunya. Foto: James Gathany/CDC (domínio público), via Wikimedia Commons
Mais de 5 mil pontos da cidade vão receber dispositivos com ovos dos chamados “Wolbitos”. Resultados mais expressivos são esperados em pelo menos dois anos.
Anápolis iniciou na segunda-feira (5) a implantação do Método Wolbachia, estratégia de controle do Aedes aegypti que usa o próprio mosquito para reduzir a transmissão da dengue, da Zika e da chikungunya. O lançamento reuniu representantes do Ministério da Saúde, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), da empresa Wolbito do Brasil e da Secretaria de Estado da Saúde.
Como funciona
A Wolbachia é uma bactéria que, quando presente no Aedes aegypti, dificulta o desenvolvimento dos vírus dentro do inseto e, com isso, reduz sua capacidade de transmitir as doenças. Os mosquitos que carregam o microrganismo, apelidados de “Wolbitos”, cruzam com os que já circulam na cidade, e a bactéria passa de uma geração para outra.
Os Wolbitos não são transgênicos, e o método não usa produtos químicos. A técnica já é aplicada em diferentes países e em outras cidades brasileiras.
Ovos em vez de mosquitos adultos
Em Anápolis, a soltura será feita por meio do Dispositivo de Liberação de Ovos (DLO). Em vez de liberar insetos adultos nas ruas, as equipes instalam recipientes com água e uma cápsula de ovos em pontos previamente definidos, mais de 5 mil em todo o município. Os ovos eclodem, os mosquitos se desenvolvem ali mesmo e, já adultos, deixam o recipiente. Uma proteção em volta dos orifícios impede a entrada de formigas.
Antes do início, a prefeitura capacitou profissionais, fez ações de orientação à população e instalou armadilhas para medir a presença do mosquito em cada região. Esse monitoramento continua depois da soltura, para verificar se a Wolbachia está se espalhando.
“A gente precisa trabalhar saúde pública com evidência. A diferença entre uma evidência e opinião é que a evidência tem metodologia, e o método Wolbachia tem resultados já consagrados”, afirmou a subsecretária estadual de Vigilância em Saúde, Flávia Amorim. A secretária municipal de Saúde, Jaqueline Rocha, disse esperar que o resultado em Anápolis “seja espelho para os demais municípios”.
Não é solução imediata
Como a estratégia depende de a bactéria se disseminar pela população de mosquitos, o efeito demora. A expectativa é de que os primeiros resultados mais significativos apareçam a partir de pelo menos dois anos.
Por isso, as autoridades reforçam que o método não substitui os cuidados de sempre, válidos também para os moradores de Jataí neste início de período chuvoso:
- Eliminar recipientes que possam acumular água;
- Manter caixas-d’água bem fechadas;
- Limpar calhas, quintais e ralos com frequência.
Com informações de: Jornal Opção.



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