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Antigo lixão de Formosa segue queimando e sem solução meses após denúncias

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O antigo lixão de Formosa continua sendo um problema para moradores da região, mesmo após denúncias, cobranças e anúncios de medidas por parte da Prefeitura. Meses depois das primeiras reclamações, a comunidade afirma que, na prática, pouco ou nada mudou: ainda há resíduos acumulados, episódios de queimadas e fumaça que alcança propriedades vizinhas. 

O problema se arrasta há décadas e atravessa diferentes administrações municipais. Agora, a Prefeitura afirma que o lixo doméstico deixou de ser levado ao local e apresenta planos para encerrar definitivamente as atividades. Para os moradores, porém, a desativação anunciada não se traduz em uma solução concreta enquanto o passivo permanece no terreno.

O pecuarista Ariel Lobo, proprietário de uma fazenda em frente ao lixão, afirma que a situação continua prejudicando quem vive na região. 

“Entra governo, passa governo e não fazem nada. Continua esse crime ambiental que, a cada ano que passa, vai aumentando e prejudicando o meio ambiente”, afirmou. 

Fumaça continua incomodando moradoresFumaça vinda do lixão em Formosa-GO

A fumaça das queimadas permanece como uma das principais reclamações. Segundo Ariel, o fogo e o mau cheiro chegam às propriedades e, em determinados momentos, a fumaça é suficiente para prejudicar a visibilidade. 

O produtor afirma ainda que já teve funcionário que deixou a propriedade porque a esposa, que sofria de asma, não conseguia suportar a fumaça. 

O secretário de Meio Ambiente de Formosa, Mário Tupiguá, reconhece a existência dos incêndios, mas afirma que eles são provocados por pessoas que entram irregularmente no local para retirar materiais recicláveis. 

Segundo o secretário, parte do material que ainda queima é composta por vegetação e plástico acumulado ao longo dos anos. Ele afirma ter acionado a Guarda Municipal, a Polícia Militar e a Polícia Civil para combater as queimadas. 

O problema, contudo, permanece: independentemente da origem dos incêndios, a população continua respirando a fumaça de uma área que a Prefeitura diz estar em processo de encerramento. 

Contaminação da água é outra preocupaçãoÁgua contaminada pelo lixão em Formosa

Além da fumaça, moradores denunciam possíveis impactos ambientais provocados por décadas de descarte de resíduos. 

Ariel afirma ter identificado pontos de água com aparência oleosa em sua propriedade e diz que uma análise realizada em seu poço artesiano apontou contaminação. Segundo ele, os documentos foram apresentados ao Ministério Público juntamente com fotografias e vídeos sobre as condições do lixão. 

A existência de contaminação e sua eventual relação com o antigo lixão ainda precisam ser confirmadas por estudos técnicos que identifiquem os contaminantes e sua origem.

Fumaça também representa risco para quem trafega pela rodoviaFumaça atrapaha a visibilidade de quem trafega na rodovia em Formosa

Além dos impactos sobre os moradores e propriedades rurais, a fumaça das queimadas também pode representar risco para motoristas que trafegam pela rodovia próxima ao antigo lixão. A redução da visibilidade provocada pela fumaça pode dificultar a identificação de outros veículos e obstáculos, aumentando o risco de acidentes, especialmente em períodos de maior concentração do material suspenso. 

Medidas anunciadas ainda não mudaram a realidade 

A Prefeitura afirma que o lixo doméstico já não é mais levado ao local e que a área passa por uma fase de transição. Ainda há, entretanto, entulhos e resíduos acumulados. 

Em julho, o município apresentou um relatório técnico com ações para recuperação de materiais recicláveis e organização da área. Também foram anunciadas cercas, portão, guarita e placas para controlar o acesso. 

Outra medida prevista é a atuação de uma empresa licenciada para separar e triturar resíduos da construção civil, transformando o entulho em materiais reaproveitáveis. 

O secretário Mário Tupiguá também afirma que o município obteve, em abril, uma licença ambiental relacionada ao processo de recuperação e reorganização da área. 

São medidas importantes no papel, mas que ainda precisam aparecer na realidade da comunidade. Para quem convive diariamente com a fumaça e os resíduos, documentos, licenças e cronogramas não resolvem o problema enquanto o lixão continuar produzindo impactos. 

Promessa de fim, problema presente 

O caso do antigo lixão revela o tamanho do desafio enfrentado por Formosa. Depois de décadas de descarte, a Prefeitura afirma ter iniciado o processo para finalmente encerrar as atividades e recuperar a área. 

Mas, para os moradores, a questão é mais simples: se a solução já começou, por que os mesmos problemas continuam? 

A comunidade afirma que não percebeu mudança significativa desde as denúncias feitas em junho. A fumaça continua, os resíduos permanecem e as dúvidas sobre os impactos ambientais ainda não foram completamente esclarecidas. 

Enquanto isso, a Prefeitura promete que até o fim do ano nenhum novo resíduo será levado ao local. 

Depois de décadas de abandono e meses de cobranças, o que os moradores esperam não é mais uma promessa de encerramento. É o fim efetivo do lixão, a recuperação da área e uma resposta concreta para os impactos que continuam atingindo quem vive ao redor. 

Fonte: O Cerradão

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