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Área queimada no Pantanal de Mato Grosso do Sul cresce 42% em 2026, enquanto Cerrado e Mata Atlântica têm queda

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Brigadistas com capacetes amarelos e abafadores caminham em meio à fumaça em área de vegetação seca

Combate a incêndio florestal no Pantanal em 2024. Foto: Marinha do Brasil (CC BY-SA 2.0), via Wikimedia Commons

O fogo recuou em Mato Grosso do Sul em 2026, mas não no Pantanal. Entre 1º de janeiro e 1º de outubro, a área queimada no bioma dentro do estado chegou a 124.227 hectares, 42,2% a mais que os 87.381 hectares do mesmo período de 2025. No conjunto do estado, a área atingida caiu 20,6%.

Os números são do Informativo nº 6 de monitoramento de incêndios florestais da Secretaria de Meio Ambiente sul-mato-grossense (Semadesc), elaborado com dados do centro de monitoramento do tempo e do clima do estado (Cemtec) e do Corpo de Bombeiros, e foram reunidos em reportagem do portal Pauta Diária.

Pantanal na contramão

Bioma (em MS)2025 (hectares)2026 (hectares)Variação
Pantanal87.381124.227+42,2%
Cerrado84.83721.863-74,2%
Mata Atlântica15.6112.957-81,1%

Com isso, o Pantanal passou a concentrar 83,3% de tudo o que queimou em Mato Grosso do Sul neste ano. O número de eventos de fogo monitorados no bioma também subiu, de 121 para 161 (alta de 33,1%), enquanto no total dos três biomas caiu de 885 para 647. Os bombeiros atenderam 2.551 ocorrências de incêndio em vegetação no estado até o início de outubro, ante 3.920 um ano antes.

Mais pasto, menos água

A reportagem relaciona o avanço do fogo a uma mudança de longo prazo na paisagem. Dados do MapBiomas mostram que a área de pastagens no Pantanal passou de cerca de 563 mil hectares, em 1985, para 2,2 milhões de hectares, em 2024. Segundo o mesmo levantamento, a agropecuária responde por mais de 99% da perda de vegetação nativa do bioma nos últimos sete anos, e a frequência de áreas alagadas caiu 75% entre as primeiras décadas da série e o período recente. O ano de 2024 foi o mais seco em quatro décadas.

Há também concentração de terras. Um cadastro rural consolidado em 2025 identificou 356 grandes propriedades no Pantanal de Mato Grosso e de Mato Grosso do Sul, que somam cerca de 8,9 milhões de hectares. E, entre 2025 e 2026, o órgão ambiental sul-mato-grossense (Imasul) autorizou a troca de pastagens ou a retirada de vegetação em 23 fazendas, em áreas que passam de 10 mil hectares, mediante compensação ambiental, de acordo com levantamento do Campo Grande News citado pelo portal.

O que os dados não dizem

O texto faz a ressalva de que a existência de grandes fazendas ou de autorizações ambientais não significa irregularidade nem prova relação direta com os incêndios. O desmatamento no Pantanal, aliás, caiu 48,4% em 2025, para 12.260 hectares, segundo o MapBiomas. O alerta é para a combinação de fatores: secas mais severas, menos áreas alagadas, expansão do pasto e mais fogo.

A pecuária faz parte da história do Pantanal, e há iniciativas para conciliar produção e conservação, como o programa Fazenda Pantaneira Sustentável. Já os conflitos chegaram à Justiça: em 2025, a Justiça Federal em Corumbá mandou desocupar 6,4 mil hectares de terras da União que, segundo a Advocacia-Geral da União e o Ministério Público Federal, haviam sido ocupados irregularmente e degradados para a criação de gado.

Fonte: Pauta Diária

AssuntosBrasilMeio AmbientePantanal

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