A tomografia é o exame usado para confirmar rapidamente um AVC. Imagem: Goleisureintl (CC BY 4.0), via Wikimedia Commons
O acidente vascular cerebral (AVC) é mais comum em idosos, mas não poupa os jovens. Mortes recentes de pessoas com menos de 40 anos, entre elas a de um jovem jogador de futebol, recolocaram o tema em discussão. Em entrevista ao Jornal Opção, a neurologista Lorena Bochenek, especialista em neurologia vascular, afirma que o maior perigo nessa faixa etária é a certeza de que “isso não é doença da minha idade”.
Fatores de risco
Segundo a médica, os principais fatores são os mesmos em qualquer idade: sedentarismo, obesidade, doenças do coração, pressão alta, diabetes, colesterol elevado, cigarro e uso de drogas estimulantes. O que chama a atenção nos pacientes jovens é que muitos só descobrem que eram hipertensos depois do AVC.
Para ela, falta o hábito de ir ao médico sem estar doente. Consultas regulares permitem diagnosticar essas condições antes de qualquer sintoma. Uma rotina de estresse, ansiedade e pouco sono também pesa, porque altera a pressão, os batimentos cardíacos e o metabolismo e costuma vir acompanhada de má alimentação e tabagismo. “O AVC é consequência de uma descompensação de outras doenças”, resume.
Em jovens, há ainda causas específicas, como a dissecção (um rasgo na parede) das artérias do pescoço. Entre as mulheres, a combinação de enxaqueca com aura, cigarro e anticoncepcional aumenta o risco.
Sinais de alerta
- Fraqueza ou perda de movimento repentina em um lado do corpo;
- Dificuldade súbita para falar ou articular as palavras;
- Rosto assimétrico, com um dos lados “caído”;
- Perda repentina da visão;
- Dificuldade súbita para andar ou perda de equilíbrio.
A palavra-chave é súbito. Diante de qualquer um desses sinais, a orientação é procurar imediatamente um serviço de emergência ou acionar o Samu, pelo telefone 192.
“Tempo é cérebro”
A pressa tem motivo. Existe uma medicação aplicada na veia que aumenta muito a chance de reverter as sequelas, mas, segundo a neurologista, ela só pode ser usada nas primeiras horas depois do início dos sintomas. Quem demora a buscar ajuda perde essa janela, e isso é mais frequente justamente entre os jovens, que tendem a atribuir os sintomas a enxaqueca, labirintite, ansiedade ou noite mal dormida.
A médica reconhece que alguns sintomas se confundem. A enxaqueca pode causar alterações visuais e formigamento, quase sempre acompanhados de dor de cabeça e de episódios parecidos no passado. A crise de ansiedade pode provocar formigamento nos braços e falta de ar. A diferença está no contexto, na duração e na repetição, e quem deve fazer essa avaliação é o serviço de saúde, com exames. “A idade não nos torna imunes a um AVC”, diz.
Com informações de: Jornal Opção



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