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Bolsa cai pela sexta vez seguida desde a reeleição de Lula e perde cerca de 19%; dólar encosta em R$ 5,50 com investidores desconfiados das contas do governo

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Notas de cem dólares americanos espalhadas, com o retrato de Benjamin Franklin em destaque

Notas de dólar. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O mercado financeiro segue reagindo mal à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na terça-feira (3), o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, caiu 1,42%, para 165.528 pontos, a sexta queda seguida desde a reeleição, em 25 de outubro, e o menor nível desde janeiro. No último pregão antes do segundo turno, o índice estava acima de 205 mil pontos: a perda passa de 19%. O dólar subiu 0,74%, fechou a R$ 5,486 e chegou a passar de R$ 5,50 durante o dia.

Segundo a Agência Brasil, as “incertezas sobre a política fiscal do governo” estão entre os principais motivos da cautela dos investidores, ao lado da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre os juros, marcada para esta quarta-feira (4), e das eleições legislativas nos Estados Unidos. As dúvidas sobre como o governo vai conduzir as contas públicas pesam sobre o real desde o resultado das urnas.

Ideias de Lara Resende assustaram

Também pesou a repercussão das propostas do economista André Lara Resende, um dos pais do Plano Real, que acusou o Banco Central de causar rombo fiscal com os juros altos e defende mudanças no regime monetário. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, tentou acalmar o mercado: disse que as ideias de Lara Resende “apresentam deficiências” e não estão em discussão no governo, e reforçou a defesa de um ajuste fiscal gradual.

O pessimismo aparece também nas projeções. O Boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central com economistas do mercado, elevou a previsão de inflação para 2027 de 4,34% para 4,76%, acima do teto da meta, de 4,5%. A expectativa para a taxa Selic no fim do próximo ano subiu de 11,75% para 12,50%. Hoje os juros básicos estão em 13,75% ao ano, e analistas veem a piora das expectativas e a alta do dólar como motivos para o Banco Central não reduzir a taxa.

Para o consumidor, o dólar mais caro costuma chegar aos preços de combustíveis, eletrônicos, remédios e alimentos ligados a commodities, e juros altos encarecem o crédito para famílias, empresas e produtores rurais.

O governo afirma que vai perseguir o equilíbrio das contas de forma gradual. A Agência Brasil informou que as ações da Petrobras e da Vale, as mais negociadas, também pressionaram o índice, em um dia de ajuste nos preços internacionais do petróleo e de outras commodities.

Com informações de: Agência Brasil.

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