Colheita de soja nos Estados Unidos. Imagem ilustrativa. Foto: Departamento de Agricultura dos EUA (USDA)/domínio público, via Wikimedia Commons
Levantamento de setembro mostra que o estado vai na contramão do recorde nacional nas principais culturas de grãos, com exceção do milho verão. Cana-de-açúcar sobe 3%. Para o produtor do Sudoeste, o número reforça a quebra da segunda safra de milho.
O Brasil deve colher 354,5 milhões de toneladas de grãos em 2026, recorde da série histórica, segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) de setembro, divulgado nesta quinta-feira, 15 de outubro, pelo IBGE. O volume é 2,4% maior que o de 2025 (346,1 milhões de toneladas), puxado pela soja, estimada em 175 milhões de toneladas (+5,4%). A área colhida deve chegar a 83,2 milhões de hectares, 2% a mais que no ano passado.
Em Goiás, o quadro é outro. Na comparação da estimativa de setembro com a produção final de 2025 registrada pelo próprio LSPA, o estado colhe menos nas principais culturas de grãos.
Goiás: estimativa 2026 x produção 2025
| Cultura | 2025 (t) | 2026, estimativa de setembro (t) | Variação |
|---|---|---|---|
| Soja | 20.317.289 | 19.772.534 | -2,7% |
| Milho 2ª safra | 14.511.654 | 10.004.567 | -31,1% |
| Milho 1ª safra | 1.433.204 | 1.363.919 | -4,8% |
| Sorgo | 1.826.286 | 1.707.150 | -6,5% |
| Algodão herbáceo | 148.336 | 134.280 | -9,5% |
| Cana-de-açúcar | 84.170.412 | 86.730.023 | +3,0% |
A maior perda está no milho de segunda safra, a safrinha plantada depois da soja, que é a principal cultura de inverno do Sudoeste goiano: a produção estimada caiu de 14,5 milhões para 10 milhões de toneladas, mesmo com a área colhida 8,9% menor (2 milhões de hectares, contra 2,2 milhões em 2025). Ou seja, além de plantar menos, o produtor goiano colheu menos por hectare. Na soja, a área cresceu 1% no estado, para 5,17 milhões de hectares, mas a produção recuou. O sorgo foi na direção oposta na área, que subiu 26,6%, para 653,7 mil hectares, embora a produção total tenha caído.
O que isso significa para a região
Com menos milho goiano colhido, a oferta regional fica mais apertada para granjas, confinamentos e indústrias de ração do Sudoeste, que dependem do cereal produzido perto. No Brasil, porém, a segunda safra de milho recuou só 2%, para 113,6 milhões de toneladas, e o milho de verão cresceu 15,5%, o que mantém a oferta nacional elevada. A Conab tinha previsto para esta quinta-feira a divulgação de sua primeira estimativa para a safra 2026/27, que começa a ser plantada com a volta das chuvas.
Com informações de: Agência Brasil e IBGE/Sidra, tabela 6588.



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