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Calor fora do normal já espalha dengue por metade do país: áreas com epidemia passaram de 110 para 292 em 18 anos, mostra Fiocruz; com chuva e El Niño, alerta vale para Goiás

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Mosquito Aedes aegypti, com listras brancas nas patas, pousado sobre a pele humana

O Aedes aegypti, transmissor da dengue. Foto: James Gathany/CDC/Domínio público, via Wikimedia Commons

As mudanças climáticas já aumentam a ocorrência de doenças infecciosas no Brasil, e a dengue é o exemplo mais claro. Um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) mostra que, de 2006 a 2024, o número de microrregiões brasileiras com níveis epidêmicos da doença mais que dobrou, de 110 para 292, o que representa 54% do país. Segundo a pesquisa, o fator que melhor explica a alta é a frequência maior de temperaturas muito fora do habitual.

O caso do Rio Grande do Sul ilustra a mudança. O estado, de clima mais frio, só teve o primeiro caso de dengue transmitido dentro do próprio território em 2007. Em 2024, ano de recorde nacional, foram quase 210 mil infecções confirmadas e 281 mortes, mais do que na Bahia, estado quente e com 3 milhões de habitantes a mais, que teve cerca de 163 mil casos e 188 óbitos.

Mosquito mais ativo no calor

O infectologista Celso Granato, da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial, explicou à Agência Brasil que todas as fases da vida do Aedes aegypti são afetadas pelo clima. Os ovos resistem por anos e eclodem com calor e umidade, e o mosquito já pode nascer infectado. “Quando está muito calor, eles têm que bater a asinha mais rapidamente para conseguir voar. Então, eles gastam mais energia e precisam picar mais”, disse.

A febre do Oropouche, que circulava quase só na Amazônia até 2023, causou mais de 12 mil infecções no ano passado em 23 estados e no Distrito Federal. A relação com o clima ainda é estudada, mas especialistas apontam mudanças de temperatura e chuva, somadas à degradação ambiental. A previsão de um El Niño forte, que favorece extremos como secas e enchentes, aumenta o alerta.

Período de risco em Goiás

Em Goiás, a combinação de calor e chuva que começa agora, com o retorno das pancadas previsto pelo Inmet para esta semana, marca o início da temporada de maior proliferação do mosquito, que costuma atingir o pico entre o fim do ano e o outono. A principal forma de prevenção continua sendo eliminar a água parada:

  • vire garrafas, baldes e pneus e guarde-os em local coberto;
  • mantenha caixas-d’água, tonéis e cisternas bem tampados;
  • limpe calhas e ralos e coloque areia nos pratos dos vasos de plantas;
  • procure a unidade de saúde em caso de febre alta, dor no corpo, dor atrás dos olhos ou manchas na pele, e não tome remédio por conta própria.

Fonte: Agência Brasil

AssuntosAedes AegyptiDengueDoenças infecciosasEl NiñoFiocruzMudanças climáticasOropoucheSaúde

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