Bandeira do município de Formosa (GO). Imagem: Samuel Lucas (CC BY-SA 4.0), via Wikimedia Commons
A Câmara Municipal de Formosa, no Entorno do Distrito Federal, aprovou na quarta-feira (21), por 16 votos a zero, a abertura de processo de cassação contra a prefeita Simone Ribeiro (União Brasil). A votação unânime não tira a prefeita do cargo: ela abre uma investigação conduzida por uma comissão de vereadores, com direito de defesa, e só depois o plenário pode decidir sobre o mandato.
Os vereadores analisaram mais de um pedido de cassação protocolado contra a prefeita. A denúncia recebida tem como autor Dr. Karlon. O conteúdo completo das acusações, a composição da comissão processante e o calendário dos trabalhos ainda não foram divulgados pela Câmara.
Salários atrasados desde junho
Em entrevista ao Jornal Opção, Simone Ribeiro disse ter recebido a decisão com “muita tranquilidade” e afirmou que enfrenta movimentos pela sua saída desde o dia seguinte à eleição. A prefeita reconheceu que o atraso no pagamento dos servidores, registrado desde junho, é o principal problema da gestão. Segundo ela, os salários chegaram a sair com cinco a dez dias de atraso, situação que atribui ao desequilíbrio das contas e a dívidas que diz ter herdado da administração anterior. Na data da entrevista, segundo a prefeita, os pagamentos estavam em dia.
“Eu sei que a nossa gestão deixa a desejar e, quando deixa a desejar, é porque não tem recurso para tal”, declarou. Ela afirmou ter cortado cargos comissionados, contratos e os próprios salários, do vice-prefeito e dos secretários, mas admitiu que as medidas não bastaram para equilibrar as finanças.
A prefeita também reagiu a acusações que circulam sobre sua administração e seu patrimônio. “Tenho muita coisa a melhorar como gestora. Agora, não coloquem a minha honestidade à prova. Não digam que eu roubei”, disse. Ela negou ter usado dinheiro destinado aos servidores em despesas pessoais e contestou alegações sobre a compra de propriedades de alto valor. Essas afirmações são a versão da prefeita.
Pressão vem de várias frentes
O processo na Câmara se soma a outros problemas da gestão. Nesta semana, o Tribunal de Justiça de Goiás derrubou 12 tipos de cargos comissionados e oito funções gratificadas criados pela Prefeitura de Formosa, município que já tinha sido mandado exonerar 477 servidores em decisão anterior. Os vereadores também instalaram uma CPI para investigar a gestão financeira do município em meio aos atrasos salariais.
Simone disse que vai continuar trabalhando e pediu cooperação dos vereadores para enfrentar a crise. “Está nas mãos de Deus, do nosso corpo jurídico e da consciência dos vereadores”, afirmou.
Com informações de: Jornal Opção



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