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Carne bovina brasileira passa a pagar 67% de tarifa na China; Goiás tem o terceiro maior rebanho do país

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Bois da raça nelore, de pelagem branca, comem capim em um cocho

China é o principal destino da carne bovina brasileira. Foto: Arquivo/Agência Brasil

A carne bovina brasileira passou a pagar 67% de tarifa para entrar na China desde quinta-feira (1º). A cobrança soma a taxa regular, de 12%, a uma sobretaxa de 55%, acionada porque o Brasil esgotou a cota anual de exportação fixada pelo governo chinês: 1,106 milhão de toneladas em 2026.

O assunto interessa diretamente a Goiás. O estado tem o terceiro maior rebanho bovino do país, com 22,5 milhões de cabeças em 2025, atrás apenas de Mato Grosso (31,6 milhões) e do Pará (25,6 milhões), segundo a Pesquisa da Pecuária Municipal, do IBGE. Em Jataí, a mesma pesquisa contou 252 mil cabeças no ano passado, contra 310 mil em 2024.

Por que a China cobra mais

O sistema de cotas foi adotado por Pequim para proteger os produtores locais diante do aumento das importações, que passaram de menos de 1,5 milhão de toneladas em 2018 para cerca de 2,8 milhões nos últimos anos. O mercado chinês vive um momento de preços mais baixos e de maior oferta interna. A sobretaxa não mira só o Brasil: atinge também outros fornecedores.

O peso para o setor brasileiro, porém, é maior, porque a China é o principal comprador. De 2016 a 2025, o Brasil vendeu ao país 8,2 milhões de toneladas de carne bovina, que renderam US$ 42,3 bilhões. O volume anual saltou de 164,9 mil toneladas para 1,6 milhão no período, e o Brasil passou a responder por mais de 40% do que os chineses importam.

O plano dos frigoríficos

Para 2027, a cota sobe para 1,128 milhão de toneladas, mas o setor calcula que ela pode se esgotar já em março ou abril. Por isso, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) discute antecipar a produção:

  • abates ainda em outubro;
  • embarques em novembro;
  • viagem de 40 a 45 dias por mar;
  • chegada à China em janeiro, já dentro da cota de 2027.

A entidade também voltou a discutir com o governo a divisão da cota entre os frigoríficos, para distribuir os embarques ao longo do ano e evitar que poucas empresas concentrem o volume disponível.

Efeito no mercado

Segundo a Abiec, o impacto começou antes mesmo do fim oficial da cota: nos últimos meses, frigoríficos reduziram as vendas à China e buscaram outros compradores. A associação estima que as exportações totais de carne bovina do Brasil recuem cerca de 10% em 2026, em um cenário que inclui ainda restrições impostas pela União Europeia. Na terça-feira (29), a China habilitou mais duas plantas brasileiras a exportar, uma em Minas Gerais e outra em Pernambuco.

Fonte: Agência Brasil e IBGE, Sistema Sidra (tabela 3939, Pesquisa da Pecuária Municipal)

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