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Catorze anos depois, três PMs vão a júri pela morte do advogado Davi Sebba em Goiânia; veredito deve sair nesta sexta

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Prédios da sede do Tribunal de Justiça de Goiás, com palmeiras e jardim à frente

Sede do Tribunal de Justiça de Goiás, em Goiânia. Foto: Conselho Nacional de Justiça (CC BY-SA 3.0), via Wikimedia Commons

Mais de 14 anos depois do crime, três policiais militares acusados de participar da morte do advogado Davi Sebba Ramalho começaram a ser julgados nesta quinta-feira (1º) pelo Tribunal do Júri, em Goiânia. A sessão passou de dez horas de duração no primeiro dia, e o veredito está previsto para a noite desta sexta-feira (2).

São réus um tenente, um sargento e um soldado da Polícia Militar de Goiás, todos acusados de homicídio. Davi tinha 38 anos e foi morto a tiro dentro do próprio carro em 5 de julho de 2012, no estacionamento de um supermercado na região da Avenida T-9. Na época, a PM informou que os policiais haviam recebido a informação de que o advogado estaria no local para um encontro ligado à compra de drogas.

O que foi dito aos jurados

Até o início da noite, haviam sido ouvidas 11 das 16 testemunhas previstas. Entre elas estava o delegado da Polícia Federal Bruno Pereira Pinto Gama, que conduziu parte da investigação. Segundo o relato do Jornal Opção, ele afirmou que:

  • o exame nas mãos de Davi deu resultado negativo para resíduos de pólvora;
  • os laudos indicavam que a arma apontada como encontrada no banco do passageiro estava em posição incompatível com a batida do carro contra uma pilastra, já que outros objetos foram deslocados pelo impacto;
  • nenhuma droga foi achada no estacionamento no dia da morte. Uma porção de maconha apareceu três dias depois, numa área de pasto vizinha, encontrada por um funcionário do supermercado;
  • apesar de autorização judicial, a investigação só recebeu imagens das entradas e cancelas do estabelecimento, e não do ponto onde o advogado foi baleado;
  • a informação que levou os policiais ao local teria saído de relatórios da própria Polícia Federal sobre Davi, repassados à PM por ordem que, pelo que ele se lembrava, foi verbal.

Acusação e defesa discutiram em plenário a possibilidade de falso negativo no exame de pólvora e os limites desse tipo de perícia.

As famílias

O irmão da vítima, Pedro Ivo, acompanhou a sessão e disse esperar a condenação dos réus, ressalvando que eles devem ter o direito de defesa que, na avaliação dele, Davi não teve. O filho do advogado nasceu na mesma noite em que o pai foi morto e tem hoje 14 anos. Familiares dos policiais também estavam no fórum e defendem a inocência deles; a esposa do soldado afirmou esperar a absolvição do marido, que, segundo ela, estava em serviço.

Os três policiais respondem ao processo como acusados e só poderão ser considerados culpados se assim decidir o Conselho de Sentença. O caso chegou ao júri depois de anos de recursos e de decisões que alteraram a situação processual dos réus.

Com informações de: Jornal Opção (ver também a atualização da noite)

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