Rio Araguaia em Aruanã, na divisa de Goiás com Mato Grosso, em agosto de 2025. Foto: Fronteira (CC BY-SA 4.0), via Wikimedia Commons
Levantamento do MapBiomas mostra que Alto Tocantins e Araguaia concentram 41% da perda. Goiás está entre os estados que passaram a ter menos da metade do território coberta por vegetação nativa.
O Cerrado perdeu, entre 1985 e 2025, 13,9 milhões de hectares de vegetação nativa localizada a até 500 metros de rios e outros cursos d’água. A área, pouco menor que a do Amapá, representa mais de um quarto (26,9%) de tudo o que o bioma teve convertido para outros usos no período. Os dados são de um recorte da Coleção 11 do MapBiomas, divulgado nesta quinta-feira (8).
A vegetação da beira dos rios funciona como filtro e como esponja. Para Bárbara Costa, analista de pesquisa do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) e integrante da equipe Cerrado do MapBiomas, a redução dessa cobertura pode afetar a qualidade e a disponibilidade da água e deixar a paisagem mais vulnerável a eventos extremos, como secas e chuvas intensas.
As bacias de Goiás na frente
Das seis grandes bacias hidrográficas que nascem no Cerrado, as duas que mais perderam vegetação nas margens têm origem em território goiano ou na sua divisa:
- Alto Tocantins: 2,9 milhões de hectares a menos em 41 anos;
- Araguaia: 2,7 milhões de hectares a menos.
Juntas, elas respondem por 41% de toda a perda registrada na faixa de 500 metros dos rios do bioma. O Araguaia nasce na Serra do Caiapó, na região de Mineiros, vizinha de Jataí, e o Tocantins se forma a partir de rios do norte goiano.
O retrato do bioma
| Indicador | 1985 a 2025 |
|---|---|
| Perda líquida de vegetação nativa | 51,7 milhões de hectares (-34%) |
| Formação savânica | -34 milhões de hectares (-41%) |
| Formação florestal | -12,8 milhões de hectares (-25%) |
| Formação campestre | -3,6 milhões de hectares (-39%) |
| Área de agropecuária | de 46,7 milhões para 97,9 milhões de hectares |
Somada a perda anterior a 1985, o Cerrado já tinha, em 2025, 49,6% da cobertura original suprimida. A agropecuária ocupa hoje 48,9% do bioma: 53,9 milhões de hectares de pecuária e 29,7 milhões de agricultura. A maior parte da conversão (77,7%) ocorreu em áreas privadas.
Goiás abaixo da metade
No período analisado, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Pará, Pernambuco e o Distrito Federal deixaram de ter mais da metade de sua porção de Cerrado coberta por vegetação nativa. Eles se somaram a São Paulo, que já estava nessa situação em 1985. No outro extremo, Piauí (78,2%), Rondônia (76,5%) e Maranhão (67,4%) lideram em preservação.
Entre os municípios, 301 perderam o predomínio de vegetação nativa, e 227 deles passaram a ter menos de 20% de Cerrado em pé. A reportagem da Agência Brasil não lista os municípios. Em áreas protegidas ou de uso coletivo, como terras indígenas, territórios quilombolas e unidades de conservação, a perda em 41 anos foi de 13,9%.
O que isso tem a ver com o Sudoeste goiano
A região de Jataí é uma das fronteiras agrícolas mais antigas e produtivas do Cerrado e depende dos mesmos rios que a vegetação protege, para abastecer as cidades, irrigar lavouras e gerar energia. O Código Florestal exige a manutenção de Áreas de Preservação Permanente (APPs) nas margens, em faixas que começam em 30 metros para os cursos d’água mais estreitos. A faixa de 500 metros usada pelo MapBiomas é um recorte de análise, mais amplo do que a exigência legal, e por isso o número não equivale a desmatamento ilegal.
Fonte: Agência Brasil, com dados do MapBiomas.



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