Navio porta-contêineres no Porto de Los Angeles, nos Estados Unidos. Foto: Downtowngal (CC BY-SA 4.0), via Wikimedia Commons
China e Estados Unidos acertaram reduzir as tarifas de importação sobre um total de US$ 60 bilhões em mercadorias negociadas entre os dois países. Cada lado indicou US$ 30 bilhões em produtos considerados não sensíveis para receber tratamento tarifário mais favorável. O anúncio foi feito neste domingo (27) pelo representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer.
Segundo Greer, a medida abre melhores condições de acesso ao mercado chinês para cerca de 30% das exportações norte-americanas destinadas à China. O corte recíproco e a extensão de uma trégua comercial foram os principais resultados do segundo encontro deste ano entre os presidentes Xi Jinping e Donald Trump, realizado em Washington na semana passada.
Agro dos EUA na lista, sem a soja
Do lado chinês, a lista de produtos norte-americanos com tarifa menor inclui milho, trigo, sorgo, carne, lácteos, óleos vegetais e farinhas, além de pescados, madeira, cosméticos e equipamentos médicos. A soja ficou de fora. A China já voltou a comprar grandes volumes do grão norte-americano por causa de um acordo do ano passado, que prevê a aquisição de 25 milhões de toneladas por ano.
Para o Brasil, grande concorrente dos EUA na venda de grãos e carnes à China, o movimento merece atenção. A seleção dos produtos parece desenhada para ajudar Pequim a cumprir o compromisso de comprar US$ 17 bilhões em produtos agrícolas norte-americanos, citado pela Casa Branca. Os dois países vão criar um grupo de trabalho sobre agricultura, com a primeira reunião prevista até o fim do ano.
Do lado norte-americano, a redução vale para pequenos eletrodomésticos chineses, como cafeteiras e torradeiras, além de louças, roupas de cama, brinquedos, fogos de artifício, enfeites de Natal e cadeirinhas infantis para carros.
Trégua prorrogada e carvão
O Ministério do Comércio da China informou nesta segunda-feira (28) que a trégua comercial foi estendida por dois meses, até 10 de janeiro, para que os dois lados avaliem o andamento do acordo. A cúpula também previu que a China importe 10 milhões de toneladas de carvão dos EUA por ano em 2027 e 2028, volume próximo de 2% das compras chinesas do produto. Gás natural liquefeito e petróleo não entraram no pacote.
Os governos concordaram ainda em criar um canal de comunicação sobre incidentes envolvendo inteligência artificial, com novo diálogo até o fim de novembro. A China também vai analisar pedidos de instituições financeiras estrangeiras, incluindo as de capital norte-americano, para operar no país, e os dois lados vão discutir o aumento de voos diretos.
Com informações de: Agência Brasil



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