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Com dívida de R$ 792 milhões e direção afastada pela Justiça, Santa Casa de Campo Grande perde repasse extra de R$ 126 milhões

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Vista aérea da região central de Campo Grande, com prédios baixos em primeiro plano e torres residenciais ao fundo

Vista aérea de Campo Grande (MS). Foto: Flavio Andre/MTur, via Wikimedia Commons

Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul manteve suspenso o pagamento pedido pelo hospital. Auditoria do Estado aponta que as despesas administrativas cresceram 155%.

O maior hospital filantrópico de Mato Grosso do Sul enfrenta, ao mesmo tempo, uma crise financeira e uma intervenção judicial. A Santa Casa de Campo Grande, que tenta na Justiça aumentar o repasse mensal do governo estadual de R$ 32,7 milhões para R$ 45,9 milhões, viu o Tribunal de Justiça do estado (TJMS) manter suspenso o pagamento extraordinário de R$ 126 milhões que havia solicitado.

A decisão derrubou uma ordem anterior, que obrigava o governo a pagar sob pena de bloqueio das contas públicas. Com isso, a instituição terá de aguardar o andamento da ação para tentar receber os valores.

O que diz a auditoria

Para contestar o pedido, a Procuradoria-Geral do Estado apresentou uma auditoria sobre as contas do hospital. Os números principais:

  • O passivo total saltou de R$ 555,7 milhões em 2023 para R$ 792,6 milhões em 2025, alta de cerca de 42%;
  • A dívida equivale a 4,6 vezes o patrimônio da instituição, estimado em R$ 170,2 milhões;
  • Os recursos do SUS repassados ao hospital subiram de R$ 344,6 milhões em 2022 para R$ 438,7 milhões em 2025;
  • Os gastos com escritório, diretoria e taxas sem relação direta com o atendimento cresceram 155% e chegaram a R$ 198,1 milhões, cerca de 37% da arrecadação.

Na avaliação do governo sul-mato-grossense, os dados enfraquecem a tese de que a crise se deve apenas à falta de dinheiro público e apontam para problemas de gestão. O hospital, por sua vez, sustenta que precisa de mais recursos para manter o atendimento e equilibrar as contas.

Operação e afastamento

A disputa financeira corre em paralelo a uma investigação criminal. Em 11 de setembro, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul deflagrou a Operação Antidotum, com seis mandados de prisão preventiva e 36 de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Goiânia. Entre os presos estava o então presidente da Santa Casa, Alir Terra Lima.

A apuração trata de suspeitas de fraude e desvio de recursos em um contrato de digitalização de prontuários firmado pela associação mantenedora do hospital. Segundo o Ministério Público, teria havido pagamentos elevados sem a prestação correspondente dos serviços, além de possíveis irregularidades em contratos da operadora de planos Santa Casa Saúde com empresas ligadas ao mesmo grupo.

Depois da prisão, a instituição chegou a anunciar uma nova diretoria, que durou menos de 24 horas. O juiz Eduardo Lacerda Trevisan, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, afastou os integrantes da Diretoria Corporativa e do Conselho de Administração e nomeou o cirurgião cardiovascular Luiz Alberto Hiroki Kanamura como gestor provisório por 180 dias, prazo que pode ser prorrogado.

As suspeitas investigadas ainda serão submetidas ao devido processo legal, com direito à defesa e ao contraditório. Os investigados não foram condenados.

Fonte: Pauta Diária.

AssuntosJustiçaMato Grosso do SulSanta CasaSaúde

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