O ministro da Fazenda, Dario Durigan, em entrevista coletiva em maio. Foto: Washington Costa/Ministério da Fazenda
O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Augusto Nardes afirmou, em vídeo publicado nas redes sociais na quarta-feira (21), que o Brasil corre o risco de não conseguir pagar aposentadorias se o cenário fiscal atual continuar. Ele citou um déficit da Previdência acima de R$ 404 bilhões e gastos feitos fora do Orçamento que, segundo ele, já chegam a R$ 326 bilhões. No dia seguinte, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o Orçamento de 2027 prevê superávit, mesmo com as medidas anunciadas pelo governo na reta final da campanha.
O alerta do TCU
“É bom você que vai um dia querer se aposentar pela Previdência ficar sabendo de que, como está, não haverá aposentadoria”, disse Nardes. Para o ministro, a chamada “desorçamentação”, o gasto feito por fora das regras do Orçamento, compromete a credibilidade do país e afasta investidores estrangeiros. “Houve manipulação lá atrás, nas contas da presidente, e volta a acontecer”, afirmou.
Nardes foi o relator, em 2015, do processo do TCU sobre as contas do governo Dilma Rousseff que apontou as pedaladas fiscais, usadas depois como base do processo de impeachment. No vídeo, ele disse que naquela época o tribunal apontou R$ 50 bilhões “utilizados ilegalmente” e que a situação agora “se torna cada vez mais grave”. As declarações são do ministro; o TCU não divulgou decisão do plenário sobre os números citados.
A resposta da Fazenda
Em entrevista ao portal Metrópoles na quinta-feira (22), reproduzida pela Agência Brasil, Durigan disse que as medidas anunciadas em 2026, como o reajuste de cerca de 15% do Bolsa Família, a redução do custo dos combustíveis, o Desenrola 3.0 e a proposta de tarifa zero no transporte nos fins de semana, foram planejadas dentro do arcabouço fiscal. “Nós estamos entregando superávit para o ano que vem no Orçamento, considerando todas essas medidas que o presidente anunciou”, afirmou. Segundo ele, o resultado das contas melhorou R$ 200 bilhões desde 2023.
Para acomodar parte dos novos gastos, o Ministério do Planejamento vai propor ao Congresso uma mudança no projeto de Orçamento de 2027, com remanejamento de cerca de R$ 20 bilhões sem aumentar o limite total de despesas. O restante seria coberto pela revisão da estimativa de gastos obrigatórios.
Com informações de: Jornal Opção e Agência Brasil



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