Palácio do Congresso Nacional, em Brasília. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Cientista político da UnB prevê mais espaço para segurança pública, valores e família e mudança de ritmo em propostas como o fim da escala 6×1. Para ambientalistas, sete em cada dez parlamentares eleitos são contrários à agenda do clima.
As urnas de domingo (4) entregaram ao próximo presidente, seja ele qual for, um Congresso mais à direita do que o atual. O Partido Liberal passou de 98 para 121 deputados federais, a maior bancada da Câmara, e de 15 para 28 senadores, mais de um terço do Senado. Somados os aliados, a próxima legislatura terá pelo menos 49 senadores identificados com a direita, segundo levantamento do portal Pauta Diária, número igual ao exigido para aprovar emendas à Constituição na Casa.
Que pauta vem aí
Para o economista e doutor em ciência política Jeferson Ramos dos Santos, professor da Universidade de Brasília (UnB), o crescimento dos partidos conservadores no Congresso e nos governos estaduais deve influenciar a agenda legislativa a partir de 1º de fevereiro de 2027, com mais espaço para segurança pública, valores e família. À Agência Brasil, ele disse que esses temas, ao lado do custo de vida, dominaram as campanhas nas regiões onde foram eleitos senadores, deputados e governadores.
O professor avalia que também devem mudar o ritmo de votação e o perfil das propostas trabalhistas. O teste imediato é a emenda constitucional que acaba com a escala 6×1 e reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais: o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), anunciou cinco sessões de debate e a possível votação em 15 de outubro, ainda com a composição atual.
A leitura dos ambientalistas
Quem defende a pauta ambiental vê o resultado com preocupação. Análise do Observatório do Clima, feita com base no índice de convergência ambiental do Instituto Democracia e Sustentabilidade, aponta que 68,9% dos eleitos para as duas Casas têm alinhamento baixo ou muito baixo com a agenda de clima e meio ambiente. No Senado, são 64 dos 81 senadores (79%), contra 58 na legislatura atual. Na Câmara, 345 dos 513 deputados (67,3%).
A coordenadora de Políticas Públicas da entidade, Suely Araújo, afirma que o cenário põe em risco parte da proteção ambiental do país, com possíveis retrocessos como o enfraquecimento dos órgãos ambientais e a anistia a grileiros. O Observatório atribui a piora ao crescimento do que classifica como partidos de extrema direita. A avaliação é da entidade, uma rede de organizações ambientalistas, e reflete os critérios do índice que ela adota.
Depende de quem vencer
Jeferson Ramos pondera que o resultado da disputa presidencial pode alterar o peso dessa maioria. Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foram ao segundo turno separados por cerca de 2,22 milhões de votos, 1,87 ponto percentual, a menor diferença já registrada em um primeiro turno, e o professor considera o cenário “aberto e competitivo” para 25 de outubro.
Se Lula for reeleito, terá de governar com um Legislativo em que a oposição saiu mais forte do que entrou. Se o vencedor for Flávio, terá base ampla, mas ainda precisará negociar para chegar aos 308 votos necessários na Câmara em matérias constitucionais. O horário eleitoral do segundo turno volta na sexta-feira (9) e vai até 23 de outubro.
Em Goiás, os dois senadores eleitos no domingo, Gustavo Gayer (PL) e Gracinha Caiado (UB), integram esse campo político.
Fonte: Agência Brasil e Agência Brasil. Com informações de Pauta Diária.



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