Mico-leão-dourado, espécie da Mata Atlântica que virou símbolo da conservação no Brasil. Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil (arquivo)
Representantes de mais de 200 países se reúnem a partir desta segunda-feira (19) em Yerevan, capital da Armênia, na 17ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP17), das Nações Unidas. O encontro vai até o dia 30 e fará a primeira revisão do Marco Global de Kunming-Montreal, assinado em 2022 por 196 países, com 23 metas para frear a perda de biodiversidade até 2030.
A mais conhecida dessas metas é a chamada 30×30: proteger 30% das áreas terrestres e 30% das áreas marinhas do planeta até o fim da década. Na sexta-feira (16), ao comentar o relatório que avalia o progresso dos países e vai servir de base para as discussões, o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que os compromissos continuam longe de ser cumpridos.
Avanços e atrasos
Guterres reconheceu avanços: quase todos os países signatários já definiram metas nacionais, e 1,3 milhão de quilômetros quadrados de território terrestre e 6 milhões de km² de áreas marinhas passaram a ter proteção legal. Mas, no ritmo atual, apenas 26% dos ecossistemas terrestres e 12% dos marinhos estarão protegidos em 2030. “Yerevan é o nosso momento de prestação de contas”, afirmou.
Uma análise do Global Cooperation Institute (GCI), feita a pedido do WWF, concluiu que a implementação está atrasada em metas importantes e que a ambição continua insuficiente em muitos países. O estudo estima que os custos não contabilizados da perda de natureza, que afetam clima, água, alimentação e saúde, ficam entre US$ 10 trilhões e US$ 25 trilhões por ano. O relatório também aponta que países com alta biodiversidade arcam com custos grandes para conservar ecossistemas que beneficiam o mundo todo, e defende mais financiamento e cooperação internacional.
“A COP17 precisa levar os países a agir e implementar seus compromissos”, afirmou a diretora-geral do WWF Internacional, Kirsten Schuijt.
O papel do Brasil
Integrantes da delegação brasileira consideram que o país tem papel estratégico na conferência, tanto pela biodiversidade quanto por experiências de conservação que podem ser replicadas. Um dos temas que o Brasil leva a Yerevan é a conectividade entre áreas protegidas, por meio de corredores ecológicos terrestres, de rios e do mar. A proposta é incluir essa ferramenta no Programa de Trabalho sobre Áreas Protegidas da convenção, adotado em 2004.
“A conservação da biodiversidade exige olhar para além dos limites de áreas protegidas individuais e considerar os ecossistemas como sistemas interligados”, disse o diretor técnico de Biodiversidade do WWF-Brasil, Marcelo Oliveira. O tema interessa diretamente ao Cerrado, bioma de Jataí e do Sudoeste goiano, onde as áreas protegidas são pequenas e espalhadas entre lavouras e pastagens.
A conferência da biodiversidade acontece a cada dois anos e é diferente da COP do Clima. A COP16 foi realizada em Cali, na Colômbia, em 2024.
Fonte: Agência Brasil



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