A empresa calculou o fluxo de caixa válido até dezembro de 2025 | Foto: Agência Brasil
Estatal calcula economia de R$ 1,7 bilhão por ano e estuda reestruturação sem apoio financeiro externo
A direção dos Correios decidiu aumentar para 15 mil o número de funcionários que deverão deixar a estatal por meio do Programa de Desligamento Voluntário (PDV). A medida acompanha o esforço para reestruturar as finanças sem recorrer a um empréstimo de R$ 20 bilhões, que enfrenta resistência do Tesouro Nacional.
A nova meta prevê o desligamento de 10 mil empregados em 2026 e mais 5 mil em 2027. Segundo estimativas internas, o corte traria uma economia de R$ 1,7 bilhão por ano na folha de pagamentos. A estatal calcula que o retorno do investimento feito com o PDV aconteceria em nove meses.
Os Correios consideram o PDV como uma “solução ponte”, capaz de permitir o início da reestruturação mesmo sem aval imediato para o empréstimo.
“O impacto financeiro do plano é relevante: economia anual de cerca de R$ 1,4 bi a partir de 2027, com retorno do investimento em aproximadamente nove meses”, comunicou a estatal.
Correios enfrentam resistência do Tesouro e dos bancos
Até o momento, não houve avanço na negociação do empréstimo. A Secretaria do Tesouro rejeitou a proposta apresentada por bancos, que ofereciam crédito com juros de 136% do CDI. O Tesouro considera inaceitável qualquer taxa acima de 120%.
Nos bastidores, houve desconforto na Caixa Econômica Federal com as condições da proposta. Dirigentes da instituição argumentaram que não caberia a um banco público lucrar em cima da estatal. Nesse sentido, a Caixa não participou da primeira rodada.
Agora, a instituição se prepara para entrar na nova fase da disputa. Segundo apuração do jornal O Estado de S. Paulo, a decisão já foi comunicada ao Planalto. Além disso, a estatal confirmou que os aprovados no concurso público de 2024 só serão contratados a partir de 2027.
O novo presidente dos Correios, Emmanuel Rondon, identificou um desequilíbrio de curto prazo nas contas da estatal. Segundo ele, a diferença entre ativos e passivos soma R$ 7,6 bilhões.
A empresa calculou o fluxo de caixa válido até dezembro de 2025. A proposta de empréstimo de R$ 20 bilhões visa quitar dívidas com fornecedores, pagar salários, investir em infraestrutura e refinanciar R$ 1,8 bilhão já emprestado por um grupo de bancos.
Até setembro, o prejuízo acumulado dos Correios chegou a R$ 6,05 bilhões. A equipe econômica do governo considera a situação da empresa delicada e entende que Rondon precisa de suporte para implementar o plano de reestruturação sem pressão externa.
Fonte: Revista Oeste



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