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Crise da moradia derruba agenda do governo e Espanha antecipa eleições; centrais sindicais marcam a primeira greve geral em 14 anos

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Fachada do Congresso dos Deputados, em Madri, com colunas, frontão esculpido e a bandeira da Espanha no alto do prédio

Congresso dos Deputados, em Madri, onde foram derrubados os decretos sobre habitação (imagem de arquivo). Foto: Yann Droneaud (CC BY-SA 2.0), via Wikimedia Commons

Pedro Sánchez convocou votação para 29 de novembro depois de o Parlamento rejeitar medidas para o setor. Paralisação será no dia 11, véspera do início da campanha, e é criticada por empresários e pela oposição.

A alta dos aluguéis e dos preços dos imóveis virou o centro da política espanhola. Na segunda-feira (5), o primeiro-ministro Pedro Sánchez convocou eleições legislativas antecipadas para 29 de novembro, dois dias depois de o Parlamento derrubar decretos do governo com medidas para a habitação. Nesta semana, as duas maiores centrais sindicais do país anunciaram uma greve geral de 24 horas para 11 de novembro, às vésperas do início da campanha.

Será a primeira greve geral na Espanha desde 2012 e a primeira desde que Sánchez, do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), chegou ao poder, em 2018.

Quem convoca

A paralisação foi acertada entre a União Geral dos Trabalhadores (UGT) e as Comissões Operárias (CCOO). As centrais atenderam a um apelo das associações de inquilinos, que mobilizam milhares de pessoas em protestos diários desde 23 de setembro, muitos deles contra ações de despejo.

“Vamos nos juntar no dia 11, com a convocatória de uma greve geral”, disse o secretário-geral da UGT, Pepe Álvarez. Segundo ele, o movimento reivindica “salários dignos para uma moradia digna”.

As críticas

As entidades empresariais questionam a legalidade da paralisação, por entenderem que o motivo não é trabalhista, e o momento escolhido. Para o presidente da Confederação Espanhola de Organizações Empresariais, Antonio Garamendi, a greve tem “claro componente político e eleitoral” e parece mirar mais a oposição do que o governo.

Os maiores partidos de oposição foram na mesma linha. “É uma decisão eminentemente política, com a intenção de favorecer a ação política de Pedro Sánchez”, disse o porta-voz do Partido Popular (PP, de direita), Borja Sémper. O PP afirma que os sindicatos só “acordaram” depois de oito anos de governos de Sánchez e que a habitação é o “grande fracasso” do socialista. O Vox, de extrema-direita, também criticou a convocação.

O que disse Sánchez

O primeiro-ministro afirmou que a greve “afeta muitos trabalhadores e trabalhadoras e suas respectivas famílias” e que ao governo só cabe “respeitar esse direito constitucional”.

Por que acompanhar daqui

A Espanha é um dos principais investidores estrangeiros no Brasil, com presença em bancos, telefonia e energia. O tema que derrubou a agenda do governo espanhol, o custo da moradia, também pressiona orçamentos familiares nas cidades brasileiras.

Fonte: Agência Brasil.

AssuntosEspanhaEuropaGreve geralHabitaçãoPedro Sánchez

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