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Decisão de Zanin, ex-advogado de Lula, que prorrogou a votação “gerou dificuldades”, diz presidente do TSE; em SP, 80% das urnas já estavam fechadas, e Caiado chama a ordem de desrespeitosa

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Ministro Kassio Nunes Marques cercado por autoridades e assessores em ambiente fechado, durante entrevista coletiva

O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, com os presidentes do Senado e da Câmara na coletiva de domingo (25). Foto: Lula Marques/Agência Brasil

A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin que mandou prorrogar a votação do segundo turno até as 19h, anunciada perto das 17h deste domingo (25), quando as urnas já deveriam fechar, virou o principal ponto de contestação da eleição. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, afirmou que a ordem “gerou dificuldades no processo eleitoral” e que não havia norma que autorizasse a prorrogação.

Zanin foi advogado de defesa de Lula nos processos da Lava Jato e foi indicado ao STF pelo próprio presidente em 2023. O ponto foi lembrado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado na disputa: “Um ministro da Suprema Corte, pela primeira vez na história, ex-advogado do Lula, dá uma canetada, a pedido de um ex-sócio dele, e muda a regra do jogo no meio do jogo”, disse ao anunciar que não reconhece o resultado.

Como foi a decisão

Durante o dia, a campanha de Lula denunciou restrições no transporte coletivo de eleitores em cidades de dez estados e pediu ao TSE a ampliação do horário. Sem resposta do tribunal eleitoral, o PT recorreu ao Supremo. Segundo o despacho, o pedido chegou ao STF às 16h23. Zanin considerou graves os relatos e determinou a prorrogação “em todas as seções do Brasil, cabendo ao TSE dar cumprimento”.

A ordem provocou um impasse, porque em muitos locais as urnas já tinham sido encerradas e desligadas. O TSE suspendeu temporariamente a totalização, e os ministros se reuniram a portas fechadas. No Distrito Federal, o Tribunal Regional Eleitoral informou que não havia sido comunicado e que as urnas fechadas não podiam ser religadas. Depois, Zanin esclareceu que a prorrogação valia só para as seções que ainda estavam abertas.

Em São Paulo, o presidente do TRE-SP, José Antonio Encinas Manfré, disse que mais de 80% das seções já estavam fechadas e que a comunicação oficial do Supremo só chegou às 18h17. Ele afirmou que soube da decisão pela imprensa. A Agência Brasil relatou baixa procura e frustração de eleitores que chegaram depois das 17h.

"Desrespeitosa ao TSE"

O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), que reconheceu a vitória de Lula, criticou a medida. “O ministro do Supremo deu uma decisão que eu acho que foi, sinceramente, desrespeitosa ao Tribunal Superior Eleitoral”, disse, prevendo que o caso deve gerar contestações. O senador eleito Gustavo Gayer (PL-GO) defendeu a anulação do pleito.

O outro lado

A campanha de Flávio também havia pedido ao TSE a prorrogação até as 19h, mas apenas em cidades de São Paulo, Paraná e Santa Catarina atingidas por chuvas, segundo o Mais Goiás e o Jornal Opção. Nunes Marques, apesar das críticas, garantiu que a Justiça Eleitoral tem “absoluta segurança” sobre o processo, disse que a decisão não alterou o resultado e que as denúncias sobre transporte serão apuradas. Os votos das urnas que não foram reabertas foram computados normalmente. Lula venceu com 51,79% dos votos válidos, 4,43 milhões a mais que Flávio.

Fonte: Agência Brasil (TRE-SP e Flávio). Com informações de: Jornal Opção e Mais Goiás

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