O ministro Alexandre de Moraes em sessão do TSE, em 2023. Foto: Antonio Augusto/Secom/TSE (domínio público), via Wikimedia Commons
A defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, que o ministro Alexandre de Moraes seja declarado impedido de relatar o inquérito que investiga o senador e o advogado Willer Tomaz. O principal argumento é que Moraes usou o mesmo jatinho que a Polícia Federal aponta como elo entre Flávio e o advogado, um avião ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Os pedidos foram protocolados na sexta-feira (30), segundo reportagem da Folhapress publicada pelo jornal Estado de Minas. São três peças: além do impedimento, a defesa pede que o caso seja redistribuído ao ministro André Mendonça e que sejam revogadas as medidas cautelares que Moraes impôs ao senador. Se o impedimento não for reconhecido, os advogados pedem, ao menos, que o ministro seja declarado suspeito.
O avião
O jato é um Legacy 650, prefixo PP-NLR, da empresa Fraction 024 Administração de Bem Próprio S.A. O capital é dividido em três partes: uma de Willer Tomaz, uma do fundador da TOTVS, Laércio Cosentino, e outra comprada no fim de 2024 pela Prime You, empresa da qual Vorcaro foi sócio de 2021 a setembro de 2025. Segundo a PF, em janeiro de 2025 o avião levou Flávio, a mulher, as duas filhas e Willer de Fort Lauderdale, nos Estados Unidos, a Brasília.
A Folha de S.Paulo já tinha revelado que Moraes e a mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes, voaram em jatos de empresas de Vorcaro ou ligadas a ele entre maio e outubro de 2025. O escritório de Viviane foi contratado pelo Banco Master por R$ 130 milhões, e a PF aponta que Vorcaro negociou a transferência de cotas do jatinho e de um helicóptero como pagamento de um segundo contrato com o escritório. Para a defesa de Flávio, esses vínculos comprometem a imparcialidade do relator.
O pedido de redistribuição a Mendonça se baseia no regimento interno do STF: os advogados argumentam que a apuração nasceu de dados de Willer obtidos na investigação das fraudes no INSS, da qual Mendonça é relator. O inquérito apura se Flávio e Willer tinham uma sociedade indireta para lavar dinheiro, inclusive por meio de uma casa de apostas. Os dois negam ligação financeira.
Passaportes e saída do país
Na noite de 25 de outubro, depois da derrota de Flávio para Lula no segundo turno, Moraes atendeu a pedido da PF, cancelou os passaportes brasileiros do senador, mandou entregar o italiano e proibiu o contato com Willer. Flávio não entregou os documentos e deixou o país pela fronteira com a Argentina rumo aos Estados Unidos. No domingo (1º), em culto na Flórida, disse que não se arrepende e chamou a decisão de perseguição “com base em mentiras”.
Até a publicação das reportagens consultadas, Moraes, Fachin e o STF não tinham se manifestado sobre os pedidos da defesa.
Com informações de: Folhapress, no Estado de Minas, Tribuna do Sertão e Jornal Opção.



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