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Doces, fé e sincretismo: famílias mantêm viva a tradição de Cosme e Damião

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Mãos organizam saquinhos de doces estampados com a imagem de São Cosme e São Damião

Saquinhos de doces distribuídos no Dia de Cosme e Damião, em terreiro de Vila Isabel, no Rio. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O saquinho de doces com a estampa dos santos gêmeos voltou às ruas neste domingo (27), Dia de São Cosme e São Damião. No Rio de Janeiro, onde a festa é uma das mais populares do calendário, igrejas e terreiros receberam devotos que seguem uma tradição passada de geração em geração.

Na Paróquia de São Cosme e São Damião, no Andaraí, zona norte da cidade, as missas atraíram fiéis de vários bairros. A professora Caroline Pinho de Araújo, de 40 anos, é devota desde criança e conta que a ligação com os santos foi crescendo com o tempo, primeiro na Igreja Católica e depois também na umbanda.

O vigário da paróquia, padre Luiz Gustavo Menezes do Nascimento, lembra que também pegava doces na infância, mas diz que o que o aproximou de verdade dos santos foi o testemunho de fé dos dois irmãos, martirizados há cerca de 1,7 mil anos. Segundo ele, os dois foram perseguidos pelo imperador romano Diocleciano, o mesmo que mandou executar São Jorge e São Sebastião, outros santos muito queridos dos cariocas.

Os erês da umbanda

Cosme e Damião também são celebrados pelas religiões de matriz africana. No Terreiro de Umbanda São Cosme e São Damião, em Vila Isabel, o domingo foi de distribuição de doces, bolo, cachorro-quente, algodão-doce, brinquedos e kits de higiene para adultos e crianças.

A mãe de santo Ana Carolina Oliveira conta que a família dela mantém a tradição há mais de 60 anos. Ela explica que os povos escravizados precisaram associar suas divindades aos santos católicos para continuar praticando a própria fé, e que Cosme e Damião passaram a representar os erês, entidades espirituais infantis. A massoterapeuta Vânia Victorio Gonçalves da Silva, que levou a filha ao terreiro, resume: para ela, a festa é um resgate da história dos antepassados.

Médicos que não cobravam

Segundo o historiador Luiz Antonio Simas, Cosme e Damião eram médicos cristãos que viveram no século 3, na região que hoje corresponde à Síria. A tradição conta que atendiam crianças sem cobrar nada e que ofereciam doces aos pequenos doentes, porque a alegria ajudava na cura. Daí nasceu o costume que atravessou séculos e chegou às ruas brasileiras.

Fonte: Agência Brasil

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