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Economia da Argentina encolhe 1,7% em agosto, segundo mês seguido de queda na comparação anual; especialistas veem risco de recessão, e governo Milei destaca recorde do agro

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Prédio alto de escritórios com fachada de janelas em faixas horizontais, na esquina de uma avenida de Buenos Aires, com a placa do Instituto Nacional de Estadística y Censos na entrada

Sede do Indec, o instituto oficial de estatística da Argentina, em Buenos Aires. Foto: Roberto Fiadone (CC BY-SA 3.0), via Wikimedia Commons

A atividade econômica da Argentina caiu 1,74% em agosto na comparação com o mesmo mês de 2025, segundo o Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec). Foi o segundo mês consecutivo de retração nessa base de comparação: em julho, a queda tinha sido de 2,8%. O resultado levou economistas a apontar risco de recessão no principal parceiro comercial do Brasil na América do Sul.

Na comparação com julho, a economia argentina cresceu 0,1% em agosto, depois de recuar 1,5% de junho para julho. No acumulado de 2026 até agosto, a alta é de 1,2%, abaixo dos 1,7% acumulados até julho, o que mostra perda de fôlego ao longo do ano.

Quem puxou para baixo e quem segurou

Os setores com as maiores quedas em agosto foram a pesca (-15,7%), a intermediação financeira (-3,8%), o comércio atacadista e varejista (-3,5%), a indústria (-3,2%), transportes e comunicações (-2,9%) e a construção (-2,5%). No sentido contrário, cresceram mineração e petróleo (+11,1%), eletricidade, gás e água (+4,3%) e hotéis e restaurantes (+3,1%).

Economistas ouvidos pela Agência Brasil afirmaram que petróleo, gás e mineração têm evitado um resultado pior, mas destacaram que a queda da indústria e do comércio preocupa por serem setores que empregam mais trabalhadores. Para uma das especialistas, os cortes de gastos do governo de Javier Milei contribuíram para o quadro.

O que diz o governo

O ministro da Economia, Luis Caputo, preferiu destacar o crescimento de 0,1% sobre julho. “Com essa dinâmica, o indicador tendência-ciclo se posicionou 6,6% acima do nível de dezembro de 2023”, escreveu em rede social. Ele também citou as exportações da agroindústria, que, segundo o ministro, somaram US$ 43,2 bilhões de janeiro a setembro, alta de 13% sobre o mesmo período de 2025 e recorde histórico em volume.

Por que importa para o Brasil

A Argentina é um dos principais compradores de produtos industrializados brasileiros, como veículos e autopeças, e uma economia em retração tende a reduzir as encomendas. Ao mesmo tempo, o avanço das exportações agrícolas argentinas coloca o país vizinho como concorrente direto dos produtores brasileiros de grãos no mercado internacional.

Fonte: Agência Brasil

AssuntosAmerica do SulArgentinaEconomiaIndecJavier MileiRecessão

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