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Em um dia, observadores contam 87 espécies de aves em Goiânia, de beija-flor a tuiuiú, no maior mutirão mundial de “passarinhada”

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Beija-flor-tesoura, de plumagem azul e verde e cauda longa, pousado em um galho fino

O beija-flor-tesoura está entre as aves mais vistas nas passarinhadas em Goiânia. Foto: Henrique Moutinho (CC BY-SA 4.0), via Wikimedia Commons

Bem-te-vi, anu-branco, fim-fim, beija-flor-tesoura, garça-branca-grande, jaçanã e até tuiuiú. Em uma única saída de campo, um grupo de 26 pessoas registrou 87 espécies de aves em Goiânia no sábado (10), durante o Global Big Day, considerado o maior mutirão de observação de aves do mundo.

A “passarinhada” foi organizada pelo Ibama em Goiás e pelo projeto ÓIA Passarinhar e reuniu crianças, adultos que nunca tinham observado aves, frequentadores do projeto e servidores do órgão ambiental. “O evento é gratuito e não é necessário conhecimento sobre as aves ou a utilização de super equipamentos. Todos são bem-vindos”, disse ao Jornal Opção a bióloga Letícia Martins Rabelo, doutora em Ecologia e Evolução pela UFG e vice-coordenadora do ÓIA.

Como funciona

O Global Big Day é promovido pelo Laboratório de Ornitologia da Universidade Cornell, nos Estados Unidos. A proposta é simples: sair, observar quais aves aparecem, contar e registrar tudo no aplicativo eBird. As listas enviadas por voluntários do mundo inteiro viram dados usados por pesquisadores. É a chamada ciência cidadã.

“Conservação não se faz só com satélite e laboratório. Se faz com gente no campo, com binóculo na mão. Cada lista enviada é um dado científico que nenhum cientista conseguiria coletar sozinho”, afirmou a analista ambiental Ana Carolina Dias Oliveira, do Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Ibama em Goiás.

O que apareceu

  • Comuns na cidade: bem-te-vi, anu-branco, fim-fim e beija-flor-tesoura;
  • Aquáticas: garça-branca-grande, jaçanã, freirinha, marrecas e o tuiuiú, ave-símbolo do Pantanal;
  • Migratórias: maçarico-solitário e pernilongo.

O alerta

As especialistas aproveitaram o resultado para lembrar o que ameaça essa riqueza. “O Cerrado tem quase metade das aves do Brasil, mas é o bioma que mais desmatamos”, disse Ana Carolina, que aponta a perda de habitat pela expansão agropecuária e pelos incêndios como o maior desafio, sobretudo para espécies que precisam de áreas grandes e conservadas.

Para Letícia, olhar com atenção é o primeiro passo. “Só conservamos aquilo que conhecemos. Observar aves é mais do que saber o nome delas. É reparar o que ela come, onde ela vive, como ela canta”, afirmou.

Dá para fazer em Jataí

Não é preciso esperar o próximo mutirão. O eBird é gratuito e funciona em qualquer cidade: basta escolher um ponto com árvores ou água, como parques, lagos e matas de beira de rio, sair cedo, ficar em silêncio e anotar o que vê e ouve. O ÓIA Passarinhar tem núcleos em Goiânia, Anápolis, Alto Paraíso de Goiás, Terra Ronca e Brasília.

Com informações de: Jornal Opção.

AssuntosAvesCerradoGoiâniaGoiás

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