Estudantes em frente ao Liceu Buffon, em Paris, durante bloqueio em dezembro de 2024; foto de arquivo. Foto: Wyslijp16/Wikimedia Commons (CC BY 4.0)
Movimento começou há duas semanas na periferia de Paris. Governo fala em 6,1 mil detidos, a maioria menores, e promete propostas até o fim de outubro.
Alunos, professores e pais foram às ruas em cidades de toda a França nesta terça-feira (6), no maior dia de mobilização de uma onda de protestos contra a falta de professores e o mau estado das escolas. Segundo a União dos Estudantes do Ensino Médio, 1.800 escolas foram bloqueadas ou fechariam ao longo do dia. O Ministério da Educação não divulgou balanço imediato.
Em Marselha, Nantes e Lyon, as marchas começaram de forma pacífica no meio da manhã, e a maior manifestação estava prevista para a tarde, em Paris. Jovens levavam sinalizadores de fumaça e cartazes com frases como “Onde estão os políticos? Será que eles sabem que existimos?”. Em alguns locais, autoridades de ensino tentaram transferir as aulas para o ambiente virtual.
O que os estudantes pedem
O movimento reclama de salas superlotadas, falta de pessoal e prédios deteriorados, que os manifestantes atribuem a anos de pouco investimento. Entre as reivindicações estão a substituição de professores ausentes, a revisão da jornada escolar, que hoje vai das 8h às 18h, e intervalos de almoço mais longos.
Repressão e feridos
Os protestos começaram há duas semanas nos subúrbios pobres de Paris e se espalharam pelo país. O governo respondeu com a tropa de choque, alegando que o movimento havia se transformado em violência urbana. Na segunda-feira (5), no norte da França, um adolescente de 15 anos perdeu a mão em um confronto, depois de pegar uma granada de dispersão da polícia, segundo o jornal regional La Voix du Nord. A autoridade local não comentou as circunstâncias e disse que entre 200 e 250 manifestantes atiravam objetos contra os policiais.
De acordo com o Ministério do Interior, 6.100 pessoas foram detidas desde o início dos atos, a grande maioria menores de idade. Mais de 1.800 respondem a processo. O gabinete do primeiro-ministro contabiliza pelo menos 715 policiais e 215 adolescentes feridos.
Resposta do governo
O primeiro-ministro Sébastien Lecornu determinou que os ministros atendam às principais reivindicações e entreguem as primeiras propostas até o fim de outubro, incluindo um levantamento dos reparos necessários nos prédios mais antigos.
Com informações de: Agência Brasil (com Reuters).



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