Mineradora Serra Verde atua na extração de terras raras em Goiás | Foto: Divulgação
Potência buscam assegurar matéria prima para construção de produtos eletrônico e de defesa
Goiás se tornou epicentro de uma disputa geopolítica entre as maiores economias do planeta. Estados Unidos, União Europeia e China miram as jazidas de terras raras do estado, componentes fundamentais para fabricação de smartphones, veículos elétricos, turbinas eólicas e equipamentos de defesa. O Brasil detém as segundas maiores reservas mundiais desses minerais estratégicos, e parte significativa está em solo goiano.
Washington e Bruxelas querem romper o monopólio chinês no setor. Atualmente, a China controla aproximadamente 70% da produção global de terras raras e domina quase toda a cadeia de refino. No mês passado, durante visita ao Rio de Janeiro, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou negociações para acordos de investimento conjunto em matérias-primas críticas com o Brasil. A agência brasileira de promoção de exportações prepara evento para março, quando espera formalizar apoio financeiro europeu a cinco projetos de mineração no país, incluindo terras raras, níquel, lítio e manganês.
Os americanos atuam nos bastidores com abordagem mais direta. Fontes do setor revelam que representantes dos EUA deixaram clara, em conversas reservadas com autoridades e empresários brasileiros, a intenção de garantir acesso aos depósitos de terras raras ainda não explorados, incluindo em Goiás. O governador Ronaldo Caiado esteve recentemente nos EUA para discutir minerais críticos.
Nos últimos dois anos, projetos brasileiros de terras raras captaram cerca de US$ 700 milhões em financiamento, segundo levantamento do Financial Times. A maior parte veio de investidores ocidentais, como o grupo britânico Hochschild e bancos de fomento à exportação da Austrália, França, Estados Unidos e Canadá.
A China não ficou de fora da corrida. Em 2024, Pequim destinou US$ 556 milhões ao setor mineral brasileiro, conforme dados do Conselho Empresarial Brasil-China. Porém, europeus e americanos apostam em diferenciais estratégicos: a UE promete gerar empregos locais e processar os minerais em território brasileiro, enquanto os EUA oferecem agilidade no financiamento. A Terra Brasil Minerals, que busca levantar US$ 500 milhões para projetos de terras raras, confirmou que investidores com fortes laços europeus já analisaram seus dados corporativos.
O governo Lula compartilha parte dessa visão industrial. A gestão petista defende o desenvolvimento de refinarias nacionais de terras raras, evitando que o Brasil permaneça apenas exportador de matéria-prima bruta. “O friendshoring faz sentido. Estaríamos abertos a um acordo nesse sentido”, afirmou uma autoridade americana. “O Brasil pode ser um grande aliado nisso.”
Com informações da Folha de S. Paulo
Fonte: Mais Goiás



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