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Exportações de Jataí somam US$ 835 milhões até setembro; milho despenca 68% e sorgo estreia com venda à China

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Colheitadeira verde colhe soja em uma lavoura plana sob céu parcialmente nublado

Imagem ilustrativa: colheita de soja. Foto: USDA (domínio público), via Wikimedia Commons

Município é o segundo maior exportador de Goiás, atrás de Rio Verde. Dados do governo federal atualizados na terça-feira (6) mostram soja e farelo em alta, embarques de setembro 32% menores e a China como destino de dois em cada três dólares.

As empresas com sede em Jataí exportaram US$ 835,4 milhões entre janeiro e setembro de 2026, alta de 2,1% sobre os US$ 818,3 milhões do mesmo período do ano passado. Os números são do Comex Stat, o sistema de estatísticas de comércio exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), atualizado na terça-feira (6) com os dados de setembro.

Com esse resultado, Jataí segue como o segundo município que mais exporta em Goiás. O primeiro é Rio Verde, com US$ 2,74 bilhões no período, 3% a menos do que em 2025. No Sudoeste goiano, Montividiu aparece em nono lugar no estado, com US$ 256,5 milhões.

O que saiu de Jataí

ProdutoJan-set 2025Jan-set 2026Variação
Soja em grãoUS$ 579,3 milhõesUS$ 620,3 milhões+7,1%
Farelo de sojaUS$ 113,7 milhõesUS$ 143,8 milhões+26,5%
MilhoUS$ 108,5 milhõesUS$ 35,1 milhões-67,6%
Sorgosem registroUS$ 15,6 milhões–
Sementes para plantioUS$ 4,1 milhõesUS$ 7,3 milhões+75,9%
AlgodãoUS$ 8,7 milhõesUS$ 2,9 milhões-67,2%
TotalUS$ 818,3 milhõesUS$ 835,4 milhões+2,1%

A soja em grão responde por 74% de tudo o que o município vendeu ao exterior. O valor cresceu 7,1%, mas o volume embarcado caiu 2,1%, de 1,49 milhão para 1,46 milhão de toneladas. Ou seja, o ganho veio do preço, não da quantidade. Já o farelo cresceu nas duas contas: 410 mil toneladas, 22% a mais.

Milho encolhe, sorgo aparece

A maior mudança está no milho. De janeiro a setembro de 2025, saíram de Jataí 536,6 mil toneladas do cereal; neste ano, foram 167,4 mil toneladas, queda de 69%. Só em setembro, mês em que a safrinha costuma ganhar ritmo nos portos, os embarques ficaram em 10,4 mil toneladas, contra 218,4 mil toneladas um ano antes.

Os dados não explicam o motivo. Menos milho exportado pode significar mais grão vendido dentro do país, para ração e etanol, ou produto ainda estocado à espera de preço, e não necessariamente perda de renda para o produtor.

No sentido contrário, o sorgo entrou na pauta. Não havia nenhum registro de exportação do grão por Jataí entre janeiro e setembro de 2025. Neste ano, foram 71 mil toneladas e US$ 15,6 milhões, quase tudo em setembro: 64,4 mil toneladas, no valor de US$ 14,1 milhões, com um único destino, a China.

China compra dois terços

A China ficou com US$ 553,3 milhões, ou 66% das exportações jataienses no ano, 9,7% a mais que em 2025. Depois vêm Indonésia (US$ 50,4 milhões), Polônia (US$ 49,2 milhões, mais que o dobro do ano passado), Bangladesh (US$ 37,7 milhões) e Tailândia (US$ 26 milhões). O Paquistão, que mal aparecia, comprou US$ 15,8 milhões só em setembro.

Setembro mais fraco

Apesar do saldo positivo no ano, o mês passado foi ruim na comparação: US$ 73,6 milhões, 32% abaixo dos US$ 108,7 milhões de setembro de 2025. Pesaram a soja, com 85,9 mil toneladas embarcadas contra 140,9 mil, e a quase ausência do milho.

No país, o movimento foi outro. Segundo o Mdic, as exportações brasileiras cresceram 12,9% em setembro, com alta de 11,9% na soja e de 47,7% no farelo.

Como ler os números

A estatística por município considera o domicílio fiscal da empresa que exporta, não o lugar onde o grão foi colhido. Soja de Jataí vendida por uma trading registrada em outra cidade não entra na conta, e o contrário também acontece. Os valores são em dólares FOB, isto é, o preço da mercadoria no porto de embarque.

Para o produtor da região, o quadro reforça duas coisas: a dependência do mercado chinês, que compra a maior parte da soja e agora também o sorgo, e o peso do mercado interno no destino do milho, cultura em que Jataí é o quarto maior produtor do Brasil, segundo o IBGE.

Fonte: Comex Stat/Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (dados por município, consulta em 07/10/2026) e Agência Brasil.

AssuntosAgronegócioExportaçãoJataíMilhoSojaSorgoSudoeste Goiano

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