O presidente do STF, Edson Fachin, em sessão plenária em setembro. Foto: Alejandro Zambrana/STF
O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu 15 dias para a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestar sobre o relatório em que a Polícia Federal indiciou o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e outros 14 investigados pelas fraudes que, segundo a PF, já causaram prejuízo de cerca de R$ 2,7 bilhões ao Banco de Brasília (BRB).
Fachin é o relator do caso Master no STF. No mesmo despacho, deu o mesmo prazo para a PGR opinar sobre o pedido da PF de prorrogar a investigação por mais 60 dias. O relatório parcial da primeira fase da Operação Compliance Zero foi concluído na semana passada.
O que diz a PF
De acordo com o relatório, Vorcaro teve “participação pessoal, reiterada e diretiva” nas operações com carteiras de crédito irregulares do Master que deram prejuízo ao BRB, banco controlado pelo Governo do Distrito Federal. Parte das perdas veio de carteiras de crédito inexistentes em nome da Tirreno, que a PF descreve como empresa de fachada operada pelo Master. Vorcaro está preso desde março, no presídio da Papudinha, em Brasília.
A defesa do ex-banqueiro criticou o indiciamento. Disse que a PF “se limita a repetir a mesma narrativa”, que o negócio com as carteiras da Tirreno não foi concluído, que elas foram trocadas por outros ativos com resultado positivo para o BRB e que nenhuma perícia oficial apurou prejuízo.
Os elos com o Supremo
O caso Master tem ligações com integrantes do próprio Supremo que continuam sob questionamento. Reportagens da Folha de S.Paulo revelaram que o ministro Alexandre de Moraes e a mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes, viajaram em jatos de empresas de Vorcaro ou ligadas a ele em 2025, e que o escritório de Viviane foi contratado pelo Master por R$ 130 milhões. Com base nisso, a defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu a Fachin que Moraes seja declarado impedido de relatar o inquérito que investiga o senador, como o Diário de Jataí noticiou. O pedido ainda não foi decidido.
Moraes, que não é relator do caso Master, não se manifestou publicamente sobre os pedidos da defesa de Flávio, segundo as reportagens publicadas até agora. A Agência Brasil chegou a informar, por engano, que o relator do caso era o ministro André Mendonça e corrigiu a informação.
Fonte: Agência Brasil.



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