Polo automotivo em Goiana (PE), em imagem de arquivo de 2015. Foto: Rafael Neddermeyer/Fotos Públicas (CC0), via Wikimedia Commons
Horas trabalhadas e uso das fábricas também recuaram. No ano, o emprego industrial está 0,5% abaixo do registrado em 2025, embora os salários de quem continua empregado tenham subido.
A indústria brasileira perdeu fôlego no terceiro trimestre. O faturamento das fábricas caiu 3,5% em agosto, depois de já ter recuado 2,2% em julho, segundo os Indicadores Industriais divulgados nesta quarta-feira (7) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Com as duas quedas, a receita do setor passou a acumular retração de 0,2% de janeiro a agosto, na comparação com o mesmo período de 2025.
O levantamento trata da indústria de transformação, que reúne das montadoras de veículos aos frigoríficos e às fábricas de alimentos, roupas, móveis e máquinas.
Os números de agosto
| Indicador | Agosto | Acumulado no ano |
|---|---|---|
| Faturamento | -3,5% | -0,2% |
| Horas trabalhadas na produção | -1,0% | -0,8% |
| Uso da capacidade instalada | de 77,5% para 76,9% | +1,5% |
| Emprego | estável | -0,5% |
| Massa salarial | +0,5% | +0,9% |
| Rendimento médio | +0,5% | +1,5% |
Fábricas mais ociosas
Com menos encomendas, as linhas de produção rodaram menos. As horas trabalhadas caíram 1% no mês, e a utilização da capacidade instalada, que mede quanto do parque fabril está de fato em uso, recuou 0,6 ponto percentual, para 76,9%. Na média de janeiro a agosto, esse indicador ainda está 1,5% acima do de 2025.
O emprego ficou estável em agosto, repetindo o comportamento dos meses anteriores, mas o saldo do ano é negativo: há 0,5% menos trabalhadores na indústria do que nos oito primeiros meses do ano passado. Para quem manteve a vaga, houve ganho, com alta de 1,5% no rendimento médio no acumulado de 2026.
O que a CNI aponta como causa
Em nota, a entidade atribui o desempenho a três fatores: a carga tributária, o custo de insumos e matérias-primas e os juros elevados. Segundo a CNI, essa combinação reduz a procura por produtos industriais, pesa no endividamento das famílias e tem afetado o setor “de forma prolongada”.
A avaliação é da confederação que representa os industriais. A reportagem da Agência Brasil que divulgou a pesquisa não traz comentário do governo federal sobre os números.
Por que isso importa em Goiás
A indústria de transformação é o elo que processa a produção do campo. No Sudoeste goiano, ela está nas esmagadoras de soja, nas usinas de etanol e açúcar, nos frigoríficos e nas fábricas de ração, que dependem de crédito para capital de giro e sentem diretamente o custo dos juros e da energia. A pesquisa da CNI é nacional e não detalha resultados por estado.
Fonte: Agência Brasil, com dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI).



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