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Físico que impediu bombeiro de jogar a cápsula do Césio-137 num rio em 1987 recebe o título de cidadão goiano: “Goiânia virou referência mundial”

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Terreno vazio de chão de cimento cercado por muros pichados, com casas ao fundo, onde ficava a casa dos catadores que abriram a cápsula do Césio-137

Terreno em Goiânia onde ficava a casa dos catadores que encontraram o Césio-137, em foto de 2007. Foto: Ycaro Gouveia Ribeiro/Domínio público, via Wikimedia Commons

O físico nuclear Walter Mendes Ferreira, um dos primeiros especialistas a identificar a contaminação pelo Césio-137 em Goiânia, em 1987, recebeu na noite de terça-feira (27) o título de cidadão goiano da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego). Quase quatro décadas depois, ele ainda lembra o momento em que impediu um bombeiro de jogar num rio o cilindro com material radioativo.

A homenagem foi proposta pelo deputado estadual Paulo Cezar Martins (MDB) para reconhecer a participação do físico na descoberta do acidente e nas primeiras medidas de emergência.

“Não faça isso”

Era 29 de setembro de 1987. Aos 29 anos, Walter foi chamado para examinar uma peça retirada de um aparelho de radioterapia abandonado no antigo Instituto Goiano de Radiologia. Ninguém sabia ainda o que era o material, e os aparelhos da época não permitiam identificá-lo nem medir a dose com precisão. Em entrevista ao Jornal Opção, ele contou que chegou no instante em que o bombeiro anunciava que ia jogar a peça no rio e pediu que ele não fizesse isso, porque não sabia que material era aquele.

Antes, tentando medir a radiação a distância, o físico registrou uma intensidade tão alta que chegou a achar que o detector estava com defeito e buscou um segundo aparelho. Confirmada a gravidade, ajudou a avisar as autoridades e a localizar pessoas contaminadas: segundo ele, 26 pessoas foram recolhidas antes da chegada da equipe da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). As vítimas foram levadas para triagem no Estádio Olímpico.

Lições para o mundo

Para Walter, apesar da tragédia, a experiência de Goiânia virou base dos protocolos internacionais de atendimento a vítimas e de descontaminação em acidentes radiológicos. Hoje, diz, detectores que identificam o tipo de material na hora e drones que medem a radiação a distância evitariam a exposição dos primeiros socorristas, mas não substituem o conhecimento técnico.

Na homenagem, ele dividiu o mérito com os cerca de 350 servidores estaduais que trabalharam por 90 dias na descontaminação da capital e no acompanhamento dos irradiados, e lembrou o então governador Henrique Santillo e o pesquisador Rex Nazaré. Nascido fora de Goiás, Walter chegou ao estado em 1987 e aqui criou os filhos. Para ele, o título é a “certidão oficial” dessa ligação.

O acidente começou com a abertura de uma cápsula de Césio-137 por catadores de sucata e é considerado um dos maiores acidentes radiológicos da história.

Com informações de: Jornal Opção

AssuntosAlegoCésio 137Cidadão goianoGoiâniaHistória de GoiásVariedades

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