Flávio Bolsonaro fala à imprensa em Brasília, na noite do segundo turno (25). Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
O senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado por Lula no segundo turno, entrou na Argentina na noite de terça-feira (27) com a mulher e as duas filhas e, meia hora depois, embarcou num avião particular para Guayaquil, no Equador. A informação foi confirmada pela Direção Nacional de Migrações da Argentina. Ele tinha prazo para entregar os passaportes à Polícia Federal por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF, e não entregou.
Segundo o órgão argentino, a família passou às 22h50 pela Ponte Internacional Tancredo Neves, na província de Misiones, na fronteira com Foz do Iguaçu (PR), e decolou às 23h30 num voo da Baires Fly. “A travessia foi registrada pela autoridade migratória sem incidentes”, informou a Migração, que disse que os quatro apresentaram documentos válidos e não tinham impedimento para entrar no país. Mais cedo, um aliado de Flávio e uma fonte do governo norte-americano tinham dito à agência Reuters que o destino final era os Estados Unidos.
Passaporte e inquérito
Moraes mandou recolher os passaportes de Flávio na noite de domingo, logo depois do resultado, dentro de um inquérito em que o senador e o advogado Willer Tomaz, seu amigo, são investigados por lavagem de dinheiro. Ambos negam irregularidades. A decisão foi tomada depois de o ex-deputado Eduardo Bolsonaro dizer, numa transmissão, que o irmão deveria deixar o país se perdesse. Como o prazo não foi cumprido, a PF cancelou os documentos na terça.
Na véspera da viagem, Flávio tinha gravado vídeo dizendo que nunca pensou em sair do Brasil. “Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar”, afirmou. Ele questionou se a medida existiria caso tivesse vencido: “Isso é um sinal de que a nossa democracia faliu”.
Em Goiás, aliados defendem a saída
O deputado federal e senador eleito por Goiás Gustavo Gayer (PL) disse em vídeo que Flávio deixou o país para não ser preso e usado por Moraes como “peça de barganha” contra a direita no Senado, para travar a eleição de um presidente da Casa alinhado à oposição e pedidos de impeachment de ministros do STF. “Lá ele vai poder denunciar para todo mundo o que está acontecendo aqui”, afirmou. Gayer não apresentou provas de que haveria pedido de prisão.
O vereador de Goiânia Oséias Varão, liderança do PL no estado, disse que Flávio “seria preso como foi Jair Bolsonaro” se ficasse e afirmou que o senador é vítima de perseguição do Judiciário. O STF não comentou as declarações. O presidente Lula chamou a saída de “ato vergonhoso”.
Com informações de: Agência Brasil, Jornal Opção e Jornal Opção



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