O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (à esq), e o presidente Lula (à dir), durante evento do lançamento do Plano Safra 2025, no Palácio do Planalto – 1/7/2025 | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Conforme análise do jornal, críticas petistas à autoridade monetária ocultam efeitos da política fiscal do governo Lula
Em editorial publicado na noite deste domingo, 8, a Folha de S.Paulo criticou a postura do Partido dos Trabalhadores (PT) em relação ao Banco Central e à condução da economia. No texto, o jornal afirma que a sigla tenta atuar “como governo e oposição simultaneamente” ao responsabilizar a autoridade monetária por dificuldades econômicas.
Segundo a publicação, a estratégia aparece em resolução recente do Diretório Nacional do partido. O documento acusa o Banco Central de atuar “contra o projeto eleito nas urnas”, de aprofundar a “financeirização” e de limitar investimentos públicos. A sigla também defende redução imediata da taxa Selic, hoje em 15% ao ano, e revisão da meta de inflação de 3%.
O editorial sustenta que a proposta não resolve o problema. Para o jornal, a ideia de que uma meta inflacionária mais alta permitiria juros menores é “no mínimo, pueril”. A análise afirma que metas mais flexíveis podem elevar expectativas de inflação e levar a uma política monetária ainda mais restritiva.
Pressão do PT sobre o Banco Central

A Folha também aborda declarações do líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), que defendeu rever a autonomia do BC, tornando-a “relativa”. O texto cita ainda a reação de economistas e investidores à possibilidade de indicação do secretário de Política Econômica, Guilherme Mello, para a diretoria da instituição, apontando temor de politização.
Na avaliação do jornal, os juros elevados não decorrem apenas da política monetária. A publicação atribui o cenário principalmente ao aumento de gastos públicos. “O aumento persistente e temerário dos gastos públicos eleva a pressão sobre os preços e força o BC a manter a taxa de juros em patamar mais restritivo”, diz a análise, ao acrescentar que dirigentes indicados pelo próprio governo reconhecem esse efeito.
O editorial afirma ainda que a crítica petista à “financeirização” ignora a dinâmica da dívida pública. Segundo o texto, a necessidade de financiar despesas crescentes leva o Tesouro a oferecer remunerações maiores aos investidores.
Ao concluir, o jornal sustenta que a proposta econômica do partido equivale a “tolerar mais inflação — que pune sobretudo os mais pobres — em nome do crescimento econômico” e relembra políticas adotadas durante o governo Dilma Rousseff. Para a Folha, ao atacar o Banco Central, o PT transfere a responsabilidade por resultados econômicos associados às escolhas fiscais do próprio governo.
Fonte: Revista Oeste



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