Manifestantes perto da Place de la République, em Paris, no sábado (17). Foto: Jorge Jaramillo (CC BY-SA 4.0), via Wikimedia Commons
A França viveu no fim de semana um dos piores episódios de agitação social dos últimos anos. Mais de meio milhão de pessoas foram às ruas no sábado (17) em dezenas de cidades contra a alta do custo de vida e dos combustíveis, e parte dos atos terminou em saques, incêndios e confrontos com a polícia. Um manifestante morreu, mais de 2 mil pessoas foram presas e mais de 600 policiais ficaram feridos, segundo o Ministério do Interior. No domingo (18), o presidente Emmanuel Macron foi à televisão e afirmou que “nada justifica” a violência.
O manifestante que morreu teve uma parada cardíaca durante os protestos em Paris. Em Limoges, no sudoeste do país, a prefeitura da cidade, um prédio de 143 anos, foi incendiada e ficou em grande parte destruída. Em Bordeaux, um grupo de mascarados invadiu a residência do prefeito. Lojas de luxo e supermercados foram saqueados em várias cidades, de Lille a Marselha.
Movimento começou nas escolas
Os protestos de sábado juntaram um movimento estudantil que já dura cerca de um mês com uma insatisfação mais ampla contra o aumento dos preços e a piora dos serviços públicos. A maioria dos manifestantes marchou de forma pacífica; a violência foi atribuída pelo governo a grupos de extrema esquerda e a criminosos que aproveitaram as manifestações para saquear. No domingo, houve novos confrontos na Place de la République, em Paris, com uso de gás lacrimogêneo e bicicletas incendiadas.
O que disse Macron
No pronunciamento, Macron separou os manifestantes com reivindicações legítimas dos responsáveis pelos ataques. Segundo a emissora France 24, ele afirmou que quem saqueou terá de pagar pelos danos e que os que tentaram “derrubar a República” serão responsabilizados. O presidente disse que as autoridades locais poderão proibir determinadas manifestações nos próximos dias, mas não anunciou medidas como estado de emergência nem apresentou propostas concretas para o custo de vida, tarefa que deixou para o primeiro-ministro, segundo a rádio pública americana NPR.
A oposição aproveitou a crise. O líder da extrema direita, Jordan Bardella, disse que a França foi “humilhada” e pediu a renúncia de Macron, que deixa o cargo em 2027, depois de dez anos no poder.
Com informações de: Agência Brasil, France 24 e NPR



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