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Gaeco apura desvio de 54 carros zero-quilômetro de montadora em Anápolis; prejuízo passa de R$ 8,7 milhões

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Vista parcial de Anápolis, com casas em primeiro plano e prédios ao fundo

Vista parcial de Anápolis, onde fica a fábrica de onde os veículos teriam sido retirados. Foto: Josue Marinho (CC BY 3.0), via Wikimedia Commons (arquivo)

O Ministério Público de Goiás (MPGO) investiga um esquema que teria desviado 54 veículos novos de uma montadora instalada em Anápolis, com prejuízo estimado em mais de R$ 8,7 milhões. De acordo com a apuração, os carros saíam da fábrica com documentos falsos, eram levados para São Paulo e desmontados para a venda de peças.

Nesta fase, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) cumpriu 12 mandados de busca e apreensão em endereços na capital paulista e em São Bernardo do Campo. A suspeita é de que o esquema tenha funcionado do fim de 2023 ao início de 2025.

Como os carros saíam da fábrica

O principal investigado é um ex-funcionário da montadora. Segundo o MPGO, ele teria aproveitado o acesso que o cargo lhe dava para organizar a retirada dos veículos. Uma das estratégias era emitir notas fiscais que indicavam remessa temporária a empresas prestadoras de serviço, como instalação de acessórios ou blindagem, o que dava à saída dos carros a aparência de operação rotineira.

Ainda de acordo com a investigação, o homem criou um perfil falso dentro da empresa, como se fosse de um analista de marketing, e usou esse perfil para enviar e-mails com pedidos fraudulentos que davam suporte à liberação dos automóveis.

Desmanche e venda de peças

Em São Paulo, os veículos eram recebidos por comerciantes do ramo de autopeças e sucatas, que os compravam por valores muito abaixo do mercado. Em vez de revendê-los inteiros, desmontavam os carros. As peças eram oferecidas em lojas e em anúncios nas redes sociais, alguns deles com a informação de que vinham de “carros zero quilômetro”.

Segundo o MPGO, além do ex-funcionário, empresários suspeitos de comprar os veículos foram denunciados. Os crimes apontados são associação criminosa, furto mediante fraude e abuso de confiança, de forma continuada, e receptação qualificada no exercício de atividade comercial.

O Ministério Público não divulgou o nome da montadora nem dos investigados, o que impede a localização das defesas. Todos têm direito à presunção de inocência até decisão definitiva da Justiça.

Com informações de: Mais Goiás, a partir de dados do Ministério Público de Goiás

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