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Goianiense larga a rotina e tenta dar a volta ao mundo a pé puxando carrinho de 130 quilos; depois de oito meses na estrada, viagem pode durar dez anos

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Estrada asfaltada molhada que serpenteia entre montanhas com neve e vegetação baixa, sob céu nublado, na Patagônia argentina

Imagem ilustrativa: a Ruta 40 entre Bariloche e Esquel, na Argentina, trecho do caminho do viajante. Foto: ElGuruCesar (CC BY-SA 4.0), via Wikimedia Commons

O youtuber Frederico Fernandes Borges, de 39 anos, deixou a rotina em Goiânia para tentar um feito raro: dar a volta ao mundo caminhando. Desde março, ele cruza a América do Sul a pé, puxando um carrinho de cerca de 130 quilos com seus equipamentos. A jornada, que começou em Foz do Iguaçu (PR), deve levar de sete a dez anos, segundo ele.

Nascido em Uberlândia (MG), Fred mora em Goiânia desde que tinha um ano e se considera goianiense. Antes da aventura, trabalhava com edição de vídeo, design gráfico e marketing digital. Hoje, a principal fonte de renda é o canal Fred – Rota do Bem, no YouTube, complementada por contribuições de seguidores e pela ajuda de pessoas que encontra pelo caminho.

Neve, deserto e mudança de rota

A caminhada começou oficialmente em 16 de março. O plano inicial era atravessar a Argentina e o Chile pela Cordilheira dos Andes, mas o clima e o limite de tempo de permanência nos países obrigaram a mudar o roteiro. Na Argentina, ele passou por Misiones, Tucumán e Jujuy. Perto dos Andes, as nevascas bloquearam a travessia, e ele seguiu para a Bolívia, onde ficou cerca de um mês e enfrentou protestos, duas infecções alimentares e problemas com o carrinho.

Da Bolívia, pegou um ônibus até Iquique, no Chile, já no deserto do Atacama, e voltou a caminhar rumo ao sul pela costa do Pacífico. A travessia do deserto, um dos mais secos do mundo, foi um dos trechos mais duros. No caminho, enfrentou temperaturas de até 10 graus negativos, montanhas e longos trechos sem apoio.

“Aprendi que a viagem não é tanto condicionamento físico, ela é mais mental do que físico”, contou ao Mais Goiás. Nos primeiros meses, chegou a pensar em desistir. Depois de quatro meses, percebeu que conseguiria continuar.

Próximas etapas

De La Serena, no Chile, ele precisou voltar à Argentina por causa do prazo de permanência. Agora segue pela Ruta 40 em direção a Villa La Angostura e à região dos Sete Lagos. Depois, pretende voltar ao Chile para percorrer a Carretera Austral, estrada com mais de mil quilômetros, e retornar à Argentina até El Calafate, no extremo sul da Patagônia. A previsão é concluir a etapa sul-americana entre o fim de março e abril de 2027.

Para Fred, a maior descoberta não tem sido os lugares. “A gente coloca na cabeça que a viagem vai ser uma descoberta de lugares, mas acaba sendo muito mais uma descoberta sobre as pessoas, porque o mundo é muito melhor do que a gente imagina”, disse.

Com informações de: Mais Goiás.

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