Hospital Sarah Kubitschek, em Brasília, onde João Paulo faz acompanhamento desde 2021. Foto: Luis Dantas/Domínio público, via Wikimedia Commons
Aos 19 anos, João Paulo Miguel dos Santos estudava, trabalhava como segurança e fazia rap em Goiânia. Em 2011, uma overdose de cocaína o deixou em coma por três anos. Quando acordou, não conseguia falar nem se mexer direito. Hoje, aos 33, ele está no terceiro período do curso de Direito e diz que vai ser juiz.
Em entrevista ao portal Mais Goiás, João Paulo contou que, ao recuperar a consciência, teve a sensação de ter apenas dormido e acordado. Não percebia que três anos tinham passado. Depois da alta, ficou acamado em casa, respirando com ajuda de uma traqueostomia. Pedir um copo d’água era um desafio: sem voz, ele batia na parede ou na janela para chamar alguém, e respondia mexendo os olhos. A mãe e a irmã aprenderam a decifrar os sinais.
“O que eu mais queria era conseguir falar. É uma sensação muito ruim não conseguir se comunicar”, lembrou.
Quinze escolas até a matrícula
Em 2019, decidiu terminar o ensino médio. Antes de conseguir vaga, procurou 15 escolas. A que o aceitou, o Colégio Estadual João José Coutinho, no Conjunto Vera Cruz I, não tinha estrutura para um aluno em cadeira de rodas, mas a gestora fez a matrícula e foi adaptando o prédio: primeiro uma barra de apoio no banheiro e, em cerca de três meses, banheiro adaptado e rampa.
Ele temia o preconceito, mas encontrou o contrário. “Eu pensava que ia sofrer com preconceito na escola. Ao contrário, fui bem recebido pelos alunos e professores. Isso nunca vou esquecer”, disse. Pessoas próximas questionaram a decisão de voltar a estudar, mas a mãe o apoiou, e em 2021 ele concluiu o ensino médio.
"Não é impossível"
Hoje João Paulo cursa Direito na Faculdade Unida de Campinas (FacUnicamps), em Goiânia. Quer entender melhor as leis e os direitos das pessoas com deficiência para ajudar quem passa pelo mesmo. “Quando eu comecei a faculdade, meu objetivo era ser juiz. Não é fácil como achei, mas não é impossível. Para ser juiz, primeiro tem que advogar. É um processo, mas, com fé, força e perseverança, eu vou conseguir”, afirmou.
Desde 2021 ele faz acompanhamento no Hospital Sarah, em Brasília, e estima ter recuperado cerca de 90% da fala. Já consegue dar passos com andador, mas segue usando cadeira de rodas no dia a dia, e diz que a falta de acessibilidade nas ruas e prédios de Goiânia ainda é um obstáculo constante.
Com informações de: Mais Goiás



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