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Goiás chega a 2,71 milhões de inadimplentes, que devem R$ 19,9 bilhões, e lojistas entram na Black Friday com cautela; no país, superendividados crescem 75% em cinco anos

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Mãos segurando um maço de cédulas de 50 reais

Cédulas de real. Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

O número de consumidores com contas em atraso em Goiás chegou a 2,71 milhões em agosto de 2026, 3,69% a mais que um ano antes, segundo dados da Serasa citados pela Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Goiás (FCDL-GO). O valor das dívidas atrasadas subiu de R$ 17,2 bilhões para R$ 19,9 bilhões, e o comércio goiano já trata o quadro como sinal amarelo para a Black Friday, marcada para o fim de novembro.

Os números de Goiás

IndicadorAgosto de 2025Agosto de 2026
Consumidores inadimplentes2,61 milhões2,71 milhões
Número de dívidas em atraso9,91 milhões10,62 milhões
Valor total devidoR$ 17,2 bilhõesR$ 19,9 bilhões
Dívida média por inadimplenteR$ 6.576,15R$ 7.344,01

As dívidas com bancos respondem por 61,98% dos débitos atrasados no estado. Para o presidente da FCDL-GO, Valdir Ribeiro, esse é o tipo mais perigoso, porque os juros crescem rápido e tiram dinheiro do consumo. Ele afirma que o consumidor endividado tende a pesquisar mais, priorizar o essencial e adiar compras grandes, mas que a expectativa ainda é de movimento maior que o de 2025, com eletrônicos, celulares, televisores, roupas, calçados e perfumaria entre os mais procurados. Para o Natal, a aposta do varejo é o 13º salário.

No país, 20 milhões em situação de risco

O quadro goiano acompanha o nacional. O Relatório de Estabilidade Financeira do Banco Central, divulgado na terça-feira (27), mostra que 20,3 milhões de brasileiros estavam em endividamento de risco em junho de 2026, alta de 75% desde junho de 2021. São 17% de todos os devedores do sistema financeiro. Entre quem ganha até dois salários mínimos, as dívidas já comprometem 42% da renda, 15 pontos só no cartão de crédito.

O BC considera em risco quem cumpre ao menos dois destes critérios: atraso de mais de 90 dias, mais da metade da renda comprometida com dívidas, uso ao mesmo tempo de cheque especial, crédito pessoal e rotativo, ou renda abaixo da linha da pobreza depois de pagar as parcelas.

Na última sexta-feira (23), o BC anunciou regras para frear ofertas agressivas de crédito: os bancos terão de permitir que o cliente bloqueie propaganda e propostas de empréstimo, e consumidores vulneráveis só poderão receber ofertas de renegociação ou portabilidade, sem dinheiro novo. As regras de bloqueio valem a partir de 31 de março de 2027. O presidente do BC, Gabriel Galípolo, disse que novas medidas para quem já usa o rotativo do cartão devem sair ainda este ano.

Com informações de: Jornal Opção e Agência Brasil

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