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Igreja ortodoxa de Goiânia chega aos 70 anos como memória dos sírios, libaneses e palestinos que ajudaram a erguer a capital

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Fachada branca da Igreja Ortodoxa São Nicolau, em Goiânia, com arcos, cúpulas pequenas e cruzes no alto, e uma planta em primeiro plano

Igreja Ortodoxa Antioquina São Nicolau, no Setor Oeste de Goiânia. Foto: Mujalli Chediack (CC BY-SA 4.0), via Wikimedia Commons

Consagrada em 17 de junho de 1956, a Paróquia São Nicolau guarda vitrais, ícones e tradições do cristianismo oriental em meio aos prédios do Setor Oeste. Pesquisas da USP e da UFG ajudam a contar essa história.

Na Avenida República do Líbano, uma das mais movimentadas de Goiânia, uma igreja branca de arcos e cúpulas resiste entre edifícios altos. É a Paróquia Ortodoxa Antioquina São Nicolau, que completou 70 anos em 2026. O templo foi erguido quando a capital tinha pouco mais de duas décadas, com a participação de famílias sírias, libanesas e palestinas, além de gregos, russos e brasileiros, segundo o histórico da Arquidiocese Ortodoxa citado em reportagem do portal Mais Goiás.

Uma comunidade que veio para ficar

A consagração, em 17 de junho de 1956, foi presidida por dom Epiphânios Zaed, então arcebispo de Akkar, no Líbano. O padre Nicolau Jaugadar tornou-se o primeiro pároco. A comunidade não ficou só na religião: a Sociedade Beneficente Ortodoxa de Goiás participou da criação da Escola São Nicolau.

A presença árabe em Goiás é mais antiga que Goiânia. A historiadora Heliane Prudente Nunes estudou o tema na tese “Imigração Árabe em Goiás, 1880–1970”, defendida na USP em 1996. O trabalho mostra que os pioneiros se firmaram principalmente no comércio e formaram redes de família que facilitaram a vinda de parentes, com a família e a religião entre os laços que mantinham o grupo unido.

Outra pesquisa, de Mabel Pettersen Prudente, na UFG, em 2006, investigou como a língua árabe foi mantida ou se perdeu entre as gerações nascidas na capital.

O que há lá dentro

O interior segue a tradição bizantina. No lugar do altar à vista, há a iconostase, uma divisória coberta de imagens de Cristo, de Maria e dos santos que separa os fiéis do santuário. Em 2013, a igreja ganhou 13 vitrais com as principais festas do calendário litúrgico oriental, e os ícones foram restaurados.

Acolhida que se repete

Décadas depois de receber os primeiros imigrantes, a paróquia voltou a cumprir esse papel: registros de projetos da UFG mostram a participação da igreja e do padre Rafael Magul em ações de acolhimento a sírios que chegaram a Goiânia, incluindo aulas de português.

O templo também abriu as portas à cultura. Em novembro de 2025, recebeu um concerto gratuito do Coro Sinfônico da UFG. Enquanto outros marcos dos anos 1950 desapareceram, como a antiga sede da Celg, demolida em 2025, São Nicolau continua de pé e em uso.

Com informações de: Mais Goiás.

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