Prédio do Knesset, o Parlamento de Israel, em Jerusalém. Foto: Gary Todd/CC0, via Wikimedia Commons
Israel conta nesta quarta-feira (28) os votos da primeira eleição parlamentar desde o ataque do Hamas de 7 de outubro de 2023. A disputa pode encerrar a era Benjamin Netanyahu, que soma 19 anos como primeiro-ministro. Durante a votação, na terça-feira (27), o premiê disse que havia tentativa de fraude, mas não apresentou provas. Como o voto é em cédula de papel, o resultado só deve sair no fim do dia.
Cerca de 7 milhões de eleitores escolheram os 120 deputados do Knesset, o Parlamento. Pelos dados da comissão eleitoral citados pela imprensa, o comparecimento à tarde chegou a 44,9%, o maior para o horário desde 1973. Milhares de israelenses que vivem no exterior viajaram para votar.
Os favoritos
As pesquisas apontavam empate técnico entre o Likud, partido de Netanyahu, e o Yashar (Íntegro), criado em 2025 pelo ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas Gadi Eisenkot. Ele integrou o gabinete de guerra depois de 7 de outubro, saiu do governo criticando a condução da guerra em Gaza e acusa Netanyahu de ter negligenciado o resgate dos reféns e ignorado alertas sobre o ataque. O premiê nega. A terceira força é a coalizão Juntos (Beyahad), do ex-primeiro-ministro Naftali Bennett.
Os três rejeitam a criação de um Estado palestino e defendem o desarmamento do Hamas, mas divergem sobre os assentamentos na Cisjordânia. Eisenkot promete uma comissão independente para investigar as falhas de segurança de 2023, proposta rejeitada pelo governo atual.
Acusação de fraude
Netanyahu afirmou que três dirigentes do partido árabe Ra’am tentavam interferir no resultado. Os três foram detidos no sul do país com envelopes de dinheiro, mas, segundo a comissão eleitoral, foram abordados perto de casa, longe de qualquer seção, e o caso é tratado como isolado e segue sob investigação. O líder do Ra’am, Mansur Abbas, acusou o premiê de espalhar informação falsa. Integrantes do Yashar disseram que Netanyahu prepara terreno para contestar uma derrota. O Likud pediu a prorrogação do horário de votação, o que o Yashar rejeitou.
Governo depende de alianças
Nenhum partido deve chegar sozinho às 61 cadeiras necessárias para indicar o primeiro-ministro. Especialistas ouvidos pela Agência Brasil avaliam que a oposição pode precisar do apoio, ou ao menos da abstenção, dos partidos árabes, que representam cerca de um quinto da população, para tirar Netanyahu do poder. Até o fim da votação, nem Netanyahu nem Eisenkot tinham sinalizado acordo com essas legendas. Em Tel Aviv, a polícia prendeu um homem armado com faca que se aproximou do líder de esquerda Yair Golan.
Com informações de: Agência Brasil e Jornal Opção



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