André Janones e Lula em agosto de 2022, na campanha daquele ano. Imagem de arquivo. Foto: Ricardo Stuckert (CC BY-SA 4.0), via Wikimedia Commons
Deputado disse em entrevista coletiva que excluía os textos depois que os seguidores cumpriam as “missões” dadas por ele. À noite, o presidente do TSE liberou o canal, que tinha sido suspenso pela segunda vez horas antes.
O deputado federal André Janones (Rede-MG) admitiu nesta terça-feira (13) ter apagado mais de 500 mensagens do “Exército do Lula”, canal de WhatsApp que ele criou para a campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A declaração foi dada em entrevista coletiva na Câmara dos Deputados, convocada para comentar as decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre o grupo. As informações são da Revista Oeste.
A explicação
“Eu apaguei muitas mensagens, mais de 500 mensagens, por um motivo muito simples”, afirmou. Segundo o parlamentar, as exclusões aconteciam depois que os integrantes cumpriam as tarefas que ele distribuía, como atrair novos participantes, seguir perfis e ampliar o alcance de conteúdos da campanha. “Eu dava a missão. Quando a missão era cumprida, eu apagava para não deixar poluído”, disse. “Existe o registro do que foi apagado.”
Janones acrescentou que parte do material excluído era antiga, da época em que o canal tinha poucos seguidores e servia também para publicações pessoais. Ele negou ter apagado mensagens para esconder a divulgação de informações falsas.
Por que isso importa
A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) sustenta que o canal foi montado para espalhar notícias falsas contra o candidato, e foi com esse argumento que acionou a Justiça Eleitoral. A admissão de que centenas de mensagens foram removidas dá munição a esse pedido, porque dificulta conferir o que circulou ali. Do outro lado, a área técnica do próprio TSE informou na segunda-feira (12) não ter encontrado no canal os conteúdos falsos apontados pela campanha do PL, e Janones afirma que há registro do que foi apagado.
O vaivém no TSE
- Domingo (11): o presidente do TSE, ministro Nunes Marques, suspende o canal a pedido da campanha de Flávio Bolsonaro. Horas depois, o corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, derruba a decisão e manda o caso ao plenário;
- Terça (13), durante o dia: Nunes Marques suspende o canal de novo, agora por falta de comunicação do endereço à Justiça Eleitoral, e condiciona a volta à regularização;
- Terça (13), à noite: o próprio ministro libera o canal para continuar ativo no WhatsApp, segundo a Revista Oeste.
O “Exército do Lula” tem hoje 4,4 milhões de seguidores, de acordo com a revista. A reportagem não detalha os termos da decisão da noite nem informa se o canal foi registrado como propaganda eleitoral, condição imposta pelo ministro horas antes.
O segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro será em 25 de outubro.
Com informações de: Revista Oeste.



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