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Jogador de 20 anos chora em campo após ofensa racista em torneio rural de Posse, no Nordeste goiano; “dá vontade de desistir de tudo”, diz atleta do Baco Pari

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Rua asfaltada de Posse, em Goiás, com comércio de fachadas simples dos dois lados, postes de energia e placa de proibido virar à direita, sob céu azul

Posse, no Nordeste goiano, onde fica a comunidade quilombola Baco Pari. Foto: Fronteira (CC BY-SA 4.0), via Wikimedia Commons

O jogador Caíque Pereira Alves, de 20 anos, do Baco Pari Futebol Clube, foi alvo de ofensas racistas durante uma partida do Campeonato Rural do Cachimbo 2026, disputada na comunidade quilombola Baco Pari, na zona rural de Posse, no Nordeste de Goiás. Abalado, o atleta chorou, caiu no gramado e precisou ser amparado por colegas e por pessoas que acompanhavam o jogo. Vídeos com a reação dele circularam nas redes sociais.

Segundo o relato do jogador, a ofensa aconteceu quando ele se preparava para cobrar um lateral a favor do time. Ao pedir licença para fazer o arremesso, ouviu de um homem: “Pega a bola, negro preto!”. Depois, de acordo com Caíque, o mesmo homem completou: “Sai daqui, seu negro rajado Baco Pari”.

“Aquilo ali me atingiu muito, eu me senti muito constrangido. Minha vida não é a mesma depois que aconteceu isso. Dá vontade de desistir de tudo. Meu sentimento é de fazer justiça”, disse o atleta em entrevista à TV Anhanguera, reproduzida pelo portal Mais Goiás.

Suspeito fugiu do campo

Um policial militar que fazia a segurança da partida tentou animar o jogador e o orientou a identificar o autor das ofensas para formalizar a denúncia. “Joga o seu futebol. Veja quem é a pessoa lá e representa contra ele”, disse o PM em um dos vídeos. Segundo a investigação preliminar, o suspeito, um homem de 58 anos, já foi identificado pela polícia, mas fugiu do campo logo depois e ainda não tinha sido localizado. O registro da ocorrência estava previsto para terça-feira (3). O clube Baco Pari se manifestou contra o racismo.

Injúria racial é crime equiparado ao racismo desde 2023, com pena de dois a cinco anos de reclusão, que pode ser aumentada quando ocorre em eventos esportivos. Denúncias podem ser feitas em qualquer delegacia, pelo Disque 100 ou pelo 190 em caso de flagrante.

Com informações de: Mais Goiás.

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