Lula assiste a desfile na Marquês de Sapucaí | Foto: Reprodução/Facebook Lula
A Folha descreve o desfile da Acadêmicos de Niterói como ‘bajulação petista’; para a Gazeta, o presidente deveria ficar inelegível
Os jornais Folha de S.Paulo e Gazeta do Povo publicaram, nesta segunda-feira, 17, críticas ao desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Carnaval do Rio. Para os dois periódicos, o evento ultrapassou os limites da manifestação artística e assumiu contornos de promoção eleitoral.
O Carnaval, disse a Folha, tradicionalmente inverte papéis e satiriza o poder. A Acadêmicos de Niterói, entretanto, “resolveu subverter a lógica carnavalesca e exaltar não apenas um político vivo, mas que atualmente ocupa o cargo de presidente da República e pretende disputar o pleito neste ano”.
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O jornal observou que Lula, que deveria ter se afastado do evento, assistiu ao desfile de camarote e, ao final, desceu ao Sambódromo da Sapucaí para cumprimentar integrantes da agremiação. “Por óbvio, a situação levantou uma discussão sobre ilícitos eleitorais, e cabe à Justiça avaliá-los.”

Antes do desfile, duas ações foram levadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A Corte não impediu a apresentação, sob o argumento de censura prévia. A ministra Cármen Lúcia alertou para “risco muito concreto, plausível, de que venha acontecer algum ilícito”.
O editorial revelou que referências no samba-enredo — como o jingle “Olê, olê, olê, olá, Lula, Lula”, o mote “o amor venceu o medo” e a menção a “13 noites e 13 dias” — podem caracterizar propaganda antecipada.
A Folha também mencionou o debate sobre abuso de poder político, diante do repasse de R$ 12 milhões da Embratur às escolas do Grupo Especial, sendo R$ 1 milhão para cada uma.

Se TSE fosse confiável, Lula ficaria inelegível, diz a Gazeta
Já a Gazeta do Povo classificou o desfile como “uma peça de propaganda destinada a exaltar um pré-candidato à Presidência da República nas eleições deste ano”. O jornal afirmou que a apresentação teve como essência a “glorificação da biografia de Lula e o aquecimento para a campanha eleitoral”.
O editorial destacou que integrantes da escola de samba “fizeram o L” diante das câmeras e que Lula desceu à Marquês de Sapucaí acompanhado do prefeito do Rio, Eduardo Paes. A Gazeta comparou o episódio ao caso do ex-presidente Jair Bolsonaro, que foi declarado inelegível depois de uma reunião com embaixadores — que nem sequer votam.
Para o jornal, “se fosse possível confiar que o Tribunal Superior Eleitoral usaria os mesmos critérios para avaliar o desfile carnavalesco deste domingo, […] a inelegibilidade de Lula já poderia ser dada como certa”. A Corte Eleitoral, entretanto, “já mostrou que não é confiável”, concluiu a Gazeta.
Fonte: Revista Oeste



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