Terminal do Aeroparque Jorge Newbery, em Buenos Aires, em imagem de 2013. Foto: Aleksandrs Timofejev/Panoramio (CC BY 3.0), via Wikimedia Commons
Rogério Tomaz Jr. teve a residência permanente cancelada e foi mandado de volta ao Brasil ao desembarcar. Ele vê motivação política; os documentos falam em descumprimento de regra migratória.
O jornalista brasileiro Rogério Tomaz Jr., conhecido pelas críticas ao governo do presidente argentino Javier Milei, foi impedido de entrar na Argentina na segunda-feira (12), ao desembarcar no Aeroparque, em Buenos Aires. As autoridades migratórias cancelaram a residência permanente que ele tinha desde janeiro de 2022 e fixaram proibição de reingresso por cinco anos. As informações são da Agência Brasil.
As duas versões
Segundo documentos da Direção Nacional de Migrações repassados pelo próprio jornalista, a decisão se apoia em um decreto de 2025 que permite cancelar a residência quando as condições da concessão deixam de ser cumpridas. O órgão alega que ele não permaneceu no país o tempo necessário, por não morar regularmente na Argentina desde 2022.
Tomaz contesta. Diz que o documento valia até 2037, que continuou viajando ao país e que só em 2026 passou 36 dias lá. Afirma ainda que nunca foi avisado do cancelamento, feito em 5 de agosto, uma semana depois de sua última saída do território argentino, em meio a discussões nas redes sociais com apoiadores e funcionários do governo. “Se trata realmente de uma questão política”, disse em áudio a contatos. Ele relatou ter sido tratado com cordialidade pelas funcionárias e disse que não cometeu crime.
A Agência Brasil ressalva que os elementos apresentados indicam suspeita de motivação política, mas não comprovam que a medida tenha sido tomada por causa das críticas. O jornalista pode recorrer, embora avalie que não vai recuperar a residência.
Contexto
Morador de Brasília e ex-assessor parlamentar na Câmara dos Deputados, Tomaz acompanha a política argentina e publica conteúdos sobre os efeitos das medidas de Milei. Neste ano, o governo argentino editou outro decreto, que proíbe a entrada e permite a expulsão de estrangeiros que tenham “dirigido mensagens de ódio ou incitado a violência” contra o país ou seus cidadãos.
O caso ganhou atenção no Brasil porque a política econômica de Milei entrou no debate do segundo turno presidencial: a campanha de Flávio Bolsonaro cita o ajuste argentino como referência, e a de Lula cobra detalhes sobre cortes.
Fonte: Agência Brasil.



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