Gameleira (Ficus gomelleira), espécie das árvores da Praça da Cirrose. A foto não é de Goiânia. Foto: Toluaye (domínio público), via Wikimedia Commons
Parecer de 42 páginas do centro técnico do MP-GO critica a falta de medições na avaliação feita pela agência municipal em agosto. É a quarta análise diferente sobre as árvores do Setor Oeste.
Um laudo do Centro de Apoio Técnico Pericial (Catep) do Ministério Público de Goiás (MP-GO) recomendou a retirada imediata de uma das quatro gameleiras da Praça Mestre Maria Henriqueta Péclat, conhecida como Praça da Cirrose, no Setor Oeste, em Goiânia. Segundo o documento, a árvore oferece risco elevado de queda, e a área em volta deve ser isolada.
Para as outras três, a conclusão é diferente: elas podem ser preservadas, desde que recebam cuidados específicos e sejam acompanhadas com frequência. As quatro gameleiras ficam lado a lado na calçada, em frente a uma padaria e a um restaurante. A que deve ser suprimida está na Rua 4, no sentido da Rua 3 para a Rua 5.
Quatro avaliações, conclusões diferentes
O caso acumula pareceres contraditórios. Em abril, a Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma) informou que as árvores estavam saudáveis. Em agosto, a mesma autarquia autorizou o corte de exemplares e podas. O laudo do MP é a quarta avaliação e a primeira feita pelo órgão.
O Catep fez ressalvas à análise de agosto da Amma. Segundo o parecer, as conclusões da agência não vieram acompanhadas de dados medidos nem de procedimentos que demonstrassem as condições internas dos troncos. Os peritos citam métodos que não ferem a árvore e poderiam ter sido usados, como a tomografia por impulso, a ultrassonografia e a resistografia, que mede a resistência da madeira com uma agulha fina.
O que o MP recomenda
- Retirada dos galhos comprometidos, poda seletiva e controle do tamanho das copas;
- Monitoramento pelo menos a cada seis meses;
- Controle de insetos e cuidados fitossanitários;
- Retirada de muretas de alvenaria em volta de duas árvores, para ampliar a área de solo permeável;
- Remoção de uma luminária instalada no tronco de uma das gameleiras.
A perícia também apontou galhos sobre calçadas, ruas, a rede elétrica e estabelecimentos próximos, entre eles um pronto-socorro de queimaduras e um instituto médico. O promotor Marcelo Fernandes de Melo, da 81ª Promotoria de Justiça, enviou o laudo à Amma e pediu que a agência diga se concorda com a preservação das três árvores; se discordar, terá de apresentar justificativa técnica.
O que diz a Amma
Em nota ao Jornal Opção, a Amma informou que recebeu as recomendações e vai implementar as melhorias que ainda não constavam de seus procedimentos, e que várias delas já fazem parte da rotina. A agência afirmou que suas vistorias seguem protocolo técnico e que estuda uma ferramenta para dar mais transparência às avaliações de árvores.
Com informações de: Jornal Opção.



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