Jornal online

de Jataí para o mundo

Política

Lula promove ‘frequentes ataques demagógicos’ ao Banco Central, diz Folha

Atualizada em 10 de agosto de 2024, 18h452 min de leitura

Compartilhar

Falas do petista criam temor de que haverá maior tolerância com inflação a partir da troca de comando da autarquia

Os “frequentes ataques demagógicos” do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Banco Central (BC) e aos juros criam o temor de que haverá maior tolerância com a inflação a partir da troca de comando da autarquia. É o que afirma o jornal Folha de S.Paulo, em seu editorial desta quarta-feira, 7.

O órgão autônomo deu uma importante indicação na ata da reunião da semana passada de seu Comitê de Política Monetária (Copom), quando se decidiu manter a Selic em 10,50% ao ano.

“O comitê, unanimemente, reforçou que não hesitará em elevar a taxa de juros para assegurar a convergência da inflação à meta se julgar apropriado”, afirma o documento, divulgado nesta terça-feira, 6.

Segundo a Folha, a possibilidade de elevar os juros é, por si só, uma má notícia, com riscos para a atividade econômica, o emprego e o endividamento público e privado. “Dado o contexto, porém, é bem-vinda a mostra de compromisso da autoridade monetária com o controle da inflação”, diz o jornal.

A unanimidade destacada no texto é uma informação fundamental. Para a publicação, ela significa que os quatro diretores indicados por Lula acompanharam os outros cinco membros do comitê na “disposição anunciada de fazer o necessário, mesmo que à custa de sacrifícios, para manter o poder de compra da moeda”.

Até o final do ano, o petista vai indicar mais dois nomes para o colegiado — ou seja, em menos de cinco meses, seus escolhidos serão maioria na cúpula do BC.

Cenário externo escancara perigos da imprudência de Lula

O cenário econômico tem se mostrado mais adverso do que o esperado, o que dificulta o abrandamento da política monetária. Juros norte-americanos acima da expectativa levaram à alta do dólar, que deixa os produtos importados mais caros e pressiona os preços no cenário doméstico.

“Tais circunstâncias escancararam os perigos da imprudência orçamentária de Lula, que contribuiu para uma desvalorização do real mais aguda que a da maioria das moedas mundiais”, diz a Folha. “Só recentemente o governo petista tomou providências, ainda tímidas, para conter a escalada do gasto público.”

Com retórica mais incisiva, a ata do Copom listou esses perigos domésticos e externos para o controle da inflação — que, pelas projeções da entidade, estão em 4,2% neste ano e 3,6% em 2025, acima, portanto, da meta de 3%.

Para o jornal, Lula deveria ajudar a si próprio com medidas mais fortes na área fiscal e indicações de sólida reputação para o BC. “Como resta mais da metade do mandato presidencial pela frente, talvez os riscos de agora inspirem maior prudência”, avalia o veículo.

AssuntosEsquerdaLulaPT

Compartilhe esta matéria
Viu algum erro? Avise a redação
Canal do jornal Receba as notícias de Jataí no seu WhatsApp Siga o canal do Diário de Jataí. É gratuito, e seu número fica protegido. Seguir o canal

Publicidade

Publicidade de ACERT Auditor Ambiental

Mais de Política

Ver tudo de Política