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Mensagens indicam que Vorcaro bancou rede de prostituição com estrangeiras, entre elas refugiadas da Ucrânia, diz UOL; PF investiga

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Retrato de Daniel Vorcaro, de terno escuro e gravata, em 2024

Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, em 2024. Foto: Márcio Gustavo Vasconcelos (CC0, domínio público), via Wikimedia Commons

Reportagem baseada em conversas achadas no celular do dono do extinto Banco Master aponta gastos de pelo menos R$ 4,3 milhões com agência de modelos, intermediários e festas no Brasil e na Europa. Inquérito aberto em maio apura exploração sexual e tráfico de pessoas.

O empresário Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, financiou uma rede de prostituição com atuação no Brasil e no exterior, que incluía o recrutamento de mulheres estrangeiras, algumas delas refugiadas da guerra na Ucrânia. É o que afirma uma investigação jornalística do portal UOL, reproduzida pela Jovem Pan, com base em mensagens encontradas no celular do banqueiro, trocadas entre 2023 e 2025.

Segundo a reportagem, os diálogos indicam investimentos de pelo menos R$ 4,3 milhões em uma estrutura que reunia uma agência de modelos, intermediários e a contratação de mulheres para festas privadas frequentadas por amigos e autoridades, em São Paulo, Londres, Paris, Roma e Dubai. As conversas citam russas, ucranianas, venezuelanas, argentinas e polonesas.

O que a PF apura

A Polícia Federal abriu inquérito em maio para investigar a participação de mulheres estrangeiras e possíveis irregularidades na contratação. Os principais investigados, de acordo com o UOL, são Leonardo Serrano, dono de uma empresa de eventos sediada nos Estados Unidos, que cuidaria da logística internacional, e Diogo Batista, promotor de eventos em São Paulo, que receberia R$ 120 mil por mês do banqueiro.

A prostituição não é crime no Brasil. A lei pune, porém, quem favorece ou explora a prostituição de outra pessoa. A PF apura também se houve tráfico internacional de pessoas e se as mulheres sofreram violência, ameaça ou outra forma de coação.

As refugiadas

Um dos casos descritos é o de uma ucraniana de 19 anos que veio ao Brasil em outubro de 2023 para uma festa de Halloween do grupo e ficou no país. Em mensagens de novembro, o promotor avisa que havia três refugiadas ucranianas no Brasil, e o banqueiro responde: “Tem que sobrar alguma refugiada pra mim”. Em outro diálogo, o intermediário conta que a jovem não tinha para onde voltar, porque sua cidade estava sendo bombardeada, e que a convenceu a não buscar refúgio na Itália.

Meses depois, ao decidir dispensar parte das estrangeiras, Vorcaro escreve, segundo a reportagem: “Ucrania e Russia vamos mandar embora”.

A agência

As mensagens tratam ainda da compra de 50% de uma agência de modelos, a Allure Eventos, por R$ 1,5 milhão, em três parcelas de R$ 500 mil cobradas entre janeiro e maio de 2024. Ao avisar que o contrato tinha sido assinado, o promotor escreve: “Assim estamos blindados!”. Depois disso, o banqueiro teria passado a orientar que as contratações e os pedidos de visto fossem feitos pela agência.

Procurado pelo UOL, o dono da Allure, Felipe Nisti Cataldo, confirmou que Vorcaro demonstrou interesse no negócio, mas negou que a venda tenha sido concluída. Sobre uma transferência de R$ 500 mil, disse que precisaria verificar a origem e a justificativa.

Festas e faturas

A reportagem descreve eventos com dezenas de mulheres contratadas: uma festa de Halloween em São Paulo, em 2023, com mais de cem; um evento em Londres, em abril de 2024, com a presença de autoridades brasileiras, para o qual 99 teriam sido contratadas; e festas em Paris, Roma e Dubai. Os nomes das autoridades não aparecem no texto reproduzido pela Jovem Pan.

O portal diz ter localizado 21 faturas da empresa de Serrano, emitidas entre abril de 2024 e março de 2025, que somam cerca de US$ 70 milhões em despesas descritas como eventos, hospedagem e fretamentos, e que eram enviadas por Vorcaro ao setor financeiro do banco. A própria reportagem ressalva que o total não significa que todo o valor tenha sido pago nem que se destinasse à contratação de mulheres.

O que as mensagens não provam

Nos diálogos, o banqueiro e os intermediários usam termos como “escravas” para se referir às mulheres. O texto observa que essas expressões, sozinhas, não comprovam que elas estivessem em condição análoga à escravidão. Da mesma forma, a existência das conversas não estabelece por si só a responsabilidade criminal de ninguém, o que depende da investigação. Todos os citados são considerados inocentes até decisão definitiva da Justiça.

O outro lado

Leonardo Serrano e Diogo Batista não responderam aos pedidos de manifestação do UOL. O texto reproduzido pela Jovem Pan não traz manifestação da defesa de Daniel Vorcaro. O Diário de Jataí está aberto a todos os citados.

Vorcaro foi preso em novembro de 2025 na investigação sobre o Banco Master, caso que também chegou ao Supremo Tribunal Federal por causa de menções a ministros encontradas no celular do banqueiro.

Com informações de: Jovem Pan, com base em investigação do portal UOL.

AssuntosBanco MasterDaniel VorcaroInvestigaçãoPolícia Federal

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