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Mensagens revelam que lobista sugeriu pagar salário a Lulinha em ONG ambiental para atrair verba do Fundo Amazônia: “toma lá, dá cá”; caso está em inquérito no STF

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Palácio do Planalto iluminado à noite, com as colunas brancas curvas refletidas no espelho d'água

Palácio do Planalto, em Brasília. Foto: Annemariebr (domínio público), via Wikimedia Commons

Mensagens obtidas pelo portal Metrópoles mostram que a lobista Roberta Luchsinger, que se apresentava como sócia de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, sugeriu a um empresário ligado à petroquímica Unigel que oferecesse ao filho mais velho do presidente Lula (PT) um cargo remunerado no conselho de uma ONG ambiental. O objetivo declarado, segundo as conversas, era atrair recursos do Fundo Amazônia.

A reportagem, da coluna de Andreza Matais, foi publicada na terça-feira (20). Em uma das mensagens, de 2023, Luchsinger escreve ao empresário Léo Slezynger: “Chama p o conselho. Paga um salário de conselheiro. Faz ele atuar para você. Você acha que o pai dele vai querer beneficiar qual fundo? O que o filho é conselheiro e que recebe por isso. Funciona assim… toma lá, dá cá”.

O que dizem as conversas

Segundo o Metrópoles, em 20 de abril de 2023 a lobista enviou a Slezynger a notícia de que o governo dos Estados Unidos, então sob Joe Biden, anunciaria US$ 500 milhões para o Fundo Amazônia, e cobrou pressa na criação de uma entidade apta a receber doações. O empresário respondeu que já tinha uma estrutura pronta. Em 21 de maio, ele apresentou o organograma da ONG Brasil Climate Change (Bracc), com Lulinha, a então ministra Marina Silva e a própria Luchsinger no conselho estratégico.

Ainda de acordo com as mensagens, Lulinha demonstrou dúvida sobre a possibilidade de integrantes do governo ocuparem funções numa entidade privada, e o empresário disse que verificaria a questão. Em julho de 2023, Slezynger agradeceu a Lulinha pela atuação junto ao presidente em assuntos da Unigel, e o filho de Lula respondeu que estava torcendo pelo resultado. A Unigel tinha firmado com a Petrobras um contrato de processamento de gás natural que depois foi anulado pelo Tribunal de Contas da União (TCU), por considerá-lo prejudicial à estatal.

Investigação no Supremo

As suspeitas de tráfico de influência envolvendo a Unigel são investigadas em inquérito sigiloso no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Flávio Dino. A reportagem não comprova que a ONG tenha recebido dinheiro do Fundo Amazônia nem que Lulinha tenha aceitado o cargo ou recebido salário. Dos US$ 500 milhões anunciados, só cerca de US$ 100 milhões foram aprovados pelo Congresso americano e repassados. A ONG criou um site em 2025 e chegou a planejar um evento em Paraty (RJ), que foi adiado.

Roberta Luchsinger já é investigada pela Polícia Federal no caso das fraudes no INSS, por ter recebido R$ 1,5 milhão do empresário conhecido como “Careca do INSS”; ela nega ter repassado valores a Lulinha. Na semana passada, depois de Lula chamá-la de “pilantra” em entrevista, a lobista disse à CNN Brasil que Lulinha é “covarde como o pai”. Na ocasião, a Secretaria de Comunicação da Presidência afirmou que Lula desconhece os fatos narrados por ela.

O tema chega à campanha a quatro dias do segundo turno, marcado para domingo (25), em que Lula disputa a reeleição contra o senador Flávio Bolsonaro (PL). Até a publicação das reportagens de origem, não havia manifestação de Lulinha nem de sua defesa sobre as mensagens relativas à ONG. O espaço está aberto para os citados.

Com informações de: Jornal Opção, Metrópoles e Poder360

AssuntosEleições 2026Fundo AmazôniaLulinhaPetrobrasRoberta LuchsingerSTFUnigel

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