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Mercado recebe a reeleição de Lula com a maior alta do dólar desde 1999 e o pior dia da Bolsa desde a pandemia; JP Morgan prevê nova queda de 20% e diz que a guinada na economia não virá

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Operadores sentados de costas diante de painéis luminosos com cotações no antigo pregão da Bolsa de Valores de São Paulo

Operadores diante dos painéis de cotações na Bolsa de Valores de São Paulo (foto de 2007). Foto: Rafael Matsunaga/CC BY 2.0, via Wikimedia Commons

O primeiro dia útil depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi de pânico no mercado financeiro. Nesta segunda-feira (26), o dólar subiu 8,21% e fechou a R$ 5,403, a maior alta em um só dia desde janeiro de 1999. A Bolsa de Valores despencou 13,88%, a pior queda diária desde março de 2020, no início da pandemia, e chegou a ter as negociações interrompidas pelo circuit breaker logo pela manhã.

O Ibovespa, principal índice da B3, fechou aos 176.608 pontos. Na mínima do dia, chegou a 169.516 pontos, queda de mais de 17%. O volume negociado foi de R$ 88,6 bilhões, mais de três vezes a média diária, de cerca de R$ 25 bilhões. O dólar bateu R$ 5,605 na máxima e só recuou à tarde com a venda de moeda por exportadores e a recompra de títulos públicos pelo Tesouro Nacional, segundo a Agência Brasil.

Aposta era na troca de governo

A explicação dada por analistas é direta: os investidores tinham montado posições esperando a vitória de Flávio Bolsonaro (PL), que liderou o primeiro turno, e precisaram desfazê-las às pressas. Segundo o site BPMoney, as apostas davam cerca de 75% de chance ao candidato do PL antes da votação.

Para o banco norte-americano JP Morgan, os preços embutiam um cenário “materialmente diferente” do que saiu das urnas. O banco projeta mais uma queda de cerca de 20% do Ibovespa nos próximos dias, em etapas, e o dólar chegando a R$ 5,50. Na avaliação do JP Morgan, a guinada esperada na condução da economia não virá, e o comportamento do mercado vai depender dos sinais que Lula e a equipe econômica derem sobre a política fiscal, ou seja, sobre o controle dos gastos públicos. O banco rebaixou suas recomendações para o real e para os juros brasileiros e considera possível uma alta da taxa Selic, hoje em 13,75%, na reunião do Copom de 4 de novembro.

Quem perdeu e quem ganhou

As ações mais ligadas ao consumo interno foram as mais castigadas: os papéis do Magazine Luiza chegaram a cair mais de 57% no início da tarde, segundo o BPMoney. Exportadoras, que ganham com o dólar alto, subiram, como Suzano (10,26%), Embraer (7,45%) e WEG (5,94%). Com o tombo, o Ibovespa apagou todo o ganho de outubro e passou a acumular queda de 5,22% no mês, embora ainda suba 9,61% em 2026.

O tombo pesa no bolso de quem não investe em ações. Dólar mais caro encarece combustíveis, remédios, eletrônicos, fertilizantes e outros produtos com preço ligado à moeda americana, e juros mais altos tornam o crédito mais caro para famílias e empresas.

E o governo?

As reportagens consultadas não registram manifestação do presidente Lula, do Ministério da Fazenda ou do Banco Central sobre o pregão desta segunda-feira. O Diário de Jataí deixa espaço aberto para a resposta do governo federal.

Fonte: Agência Brasil. Com informações de: BPMoney

AssuntosDolarGoverno federalIbovespaJP MorganLulaMercado financeiroPolítica fiscal

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