Operadores diante dos painéis de cotações na Bolsa de Valores de São Paulo (foto de 2007). Foto: Rafael Matsunaga/CC BY 2.0, via Wikimedia Commons
O primeiro dia útil depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi de pânico no mercado financeiro. Nesta segunda-feira (26), o dólar subiu 8,21% e fechou a R$ 5,403, a maior alta em um só dia desde janeiro de 1999. A Bolsa de Valores despencou 13,88%, a pior queda diária desde março de 2020, no início da pandemia, e chegou a ter as negociações interrompidas pelo circuit breaker logo pela manhã.
O Ibovespa, principal índice da B3, fechou aos 176.608 pontos. Na mínima do dia, chegou a 169.516 pontos, queda de mais de 17%. O volume negociado foi de R$ 88,6 bilhões, mais de três vezes a média diária, de cerca de R$ 25 bilhões. O dólar bateu R$ 5,605 na máxima e só recuou à tarde com a venda de moeda por exportadores e a recompra de títulos públicos pelo Tesouro Nacional, segundo a Agência Brasil.
Aposta era na troca de governo
A explicação dada por analistas é direta: os investidores tinham montado posições esperando a vitória de Flávio Bolsonaro (PL), que liderou o primeiro turno, e precisaram desfazê-las às pressas. Segundo o site BPMoney, as apostas davam cerca de 75% de chance ao candidato do PL antes da votação.
Para o banco norte-americano JP Morgan, os preços embutiam um cenário “materialmente diferente” do que saiu das urnas. O banco projeta mais uma queda de cerca de 20% do Ibovespa nos próximos dias, em etapas, e o dólar chegando a R$ 5,50. Na avaliação do JP Morgan, a guinada esperada na condução da economia não virá, e o comportamento do mercado vai depender dos sinais que Lula e a equipe econômica derem sobre a política fiscal, ou seja, sobre o controle dos gastos públicos. O banco rebaixou suas recomendações para o real e para os juros brasileiros e considera possível uma alta da taxa Selic, hoje em 13,75%, na reunião do Copom de 4 de novembro.
Quem perdeu e quem ganhou
As ações mais ligadas ao consumo interno foram as mais castigadas: os papéis do Magazine Luiza chegaram a cair mais de 57% no início da tarde, segundo o BPMoney. Exportadoras, que ganham com o dólar alto, subiram, como Suzano (10,26%), Embraer (7,45%) e WEG (5,94%). Com o tombo, o Ibovespa apagou todo o ganho de outubro e passou a acumular queda de 5,22% no mês, embora ainda suba 9,61% em 2026.
O tombo pesa no bolso de quem não investe em ações. Dólar mais caro encarece combustíveis, remédios, eletrônicos, fertilizantes e outros produtos com preço ligado à moeda americana, e juros mais altos tornam o crédito mais caro para famílias e empresas.
E o governo?
As reportagens consultadas não registram manifestação do presidente Lula, do Ministério da Fazenda ou do Banco Central sobre o pregão desta segunda-feira. O Diário de Jataí deixa espaço aberto para a resposta do governo federal.
Fonte: Agência Brasil. Com informações de: BPMoney



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