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Mutirama reabre em Goiânia depois de 18 meses e recebe 5,5 mil pessoas no primeiro dia; pesquisa da UFG lembra que parque nasceu para ser de graça

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Portal de entrada do Parque Mutirama, com o nome do parque em arco e duas estátuas de palhaços coloridos, cercado de árvores

Entrada do Parque Mutirama, no Centro de Goiânia, em imagem de arquivo. Foto: Adelano Lázaro (domínio público), via Wikimedia Commons

Parque de diversões mais tradicional de Goiás voltou com 22 brinquedos e entrada gratuita nesta fase inicial. Estudo mostra como cobrança de ingresso e fechamentos afastaram crianças de baixa renda no passado.

Quem é de Jataí e já levou os filhos a Goiânia provavelmente tem uma foto no trenzinho ou na roda-gigante do Mutirama. O parque, no Centro da capital, reabriu no sábado (10), depois de 18 meses de obras, e recebeu 5.567 visitantes no primeiro dia, perto da capacidade de 6 mil pessoas informada pela Prefeitura de Goiânia.

Segundo a administração municipal, 22 atrações foram recuperadas e funcionaram sem problemas na reabertura; no início da atual gestão, apenas seis estavam em operação. A revitalização foi coordenada pela Secretaria Municipal de Gestão de Negócios e Parcerias. No fim de semana do Dia das Crianças, o parque teve espetáculos infantis e funcionou das 10h às 17h.

Entrada gratuita, por enquanto

A entrada é gratuita nesta fase inicial, mas a Prefeitura já avisou que a condição pode mudar. De acordo com o portal Mais Goiás, a previsão é de que o parque passe a cobrar ingressos nos fins de semana a partir de 2027. Quem planeja a viagem deve conferir dias e horários de funcionamento nos canais da Prefeitura de Goiânia antes de sair. O Mutirama fica na Avenida Contorno, no Setor Central.

“Construído para atender a criança pobre”

A discussão sobre cobrança não é nova, e uma pesquisa da Universidade Federal de Goiás (UFG) voltou a circular com a reabertura. Na dissertação de mestrado O Parque Mutirama em Goiânia – Goiás: história e constituição de um contexto socioeducativo para crianças, defendida em 2018 no Programa de Pós-Graduação em Educação, a pesquisadora Lilliane Braga Arruda reconstituiu a história do parque de 1969 a 2017.

Ela entrevistou o ex-prefeito Iris Rezende, que criou o Mutirama. “O Mutirama não foi construído para ser fonte de renda de administração principal, foi construído para atender a criança pobre”, disse Iris à pesquisadora, em 2017. A ideia, contou, era pôr para brincar juntos os filhos de soldados e de coronéis, de operários e de patrões.

O estudo concluiu que, entre 2012 e 2017, reformas e mudanças administrativas foram na direção contrária: mais brinquedos eletrônicos, retirada de áreas de brincadeira gratuita, fechamentos prolongados e cobrança de ingresso. Em alguns períodos, a gratuidade ficou restrita a excursões de escolas e creches. Na prática, a criança podia ir de graça com a turma, mas a família tinha de pagar para voltar no fim de semana. A dissertação não calcula quantas crianças deixaram de frequentar o parque.

Patrimônio da capital

A pesquisadora também esbarrou na falta de memória: não havia acervo organizado de fotos e documentos do parque. Em novembro de 2024, o Mutirama foi declarado patrimônio cultural material de Goiânia pela Lei Municipal nº 11.268, o que estende a proteção aos registros da sua história. A capital completa 93 anos no dia 24 de outubro.

Com informações de: Mais Goiás (reabertura e pesquisa da UFG).

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